segunda-feira, 27 de julho de 2015

Fluminense 1975-1976

ESQUADRões do brasil – FLUMINENSE 1975-1976

27/07/2015
Fonte:Imortais do Futebol
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Grandes feitos: Bicampeão Carioca em 1975 e 1976, Campeão do Torneio de Paris em 1976, Campeão da Copa Viña Del Mar em 1976 e Encantador de Plateias Europeias em 1976.
Time base: Renato (Félix); Carlos Alberto Pintinho (Marco Antonio), Carlos Alberto Torres, Edinho e Rubens Galaxe; Rodrigues Neto, Cléber (Paulo César), Dirceu e Rivellino; Gil e Doval. Técnicos: Paulo Emílio (1975) e Mário Travaglini (1976).
“A Máquina de jogar futebol”
No início da década de 70, o Fluminense demonstrava que aquela seria a sua década. O título nacional conquistado exatamente em 1970 foi uma prévia do que viria pela frente. Naquele ano, o time ganharia pela primeira vez o apelido de “máquina”, por jogar de maneira extremamente eficiente, técnica, dinâmica, e, acima de tudo, com um pleno futebol arte. Mas foi em 1975 que aquele time virou mesmo uma máquina, a Máquina Tricolor. Para “pilotar” aquele esquadrão com só mesmo um craque que brilhara na seleção brasileira de 70 e que acabara de sair pelas portas dos fundos de seu ex-clube (Corinthians): Rivellino. E ele não decepcionou. O grande Riva viveu sua melhor fase na carreira e conduziu o Flu em apresentações memoráveis e a dois títulos incontestáveis nos cariocas de 75 e 76. O time fez tanto sucesso que passou a excursionar pela Europa e a encantar outras plateias de amantes do futebol arte. O deslumbre pode ser o motivo dessa equipe não ter vencido o campeonato brasileiro à época. Ou seria culpa do Inter de Falcão? Ou da invasão corintiana ao Maracanã? Não importa. O que ficou pra história foram os desfiles de um time mágico e imponente, que fez até o maior esquadrão da terra na época, o Bayern München de Beckenbauer, Maier e Müller, sucumbir. Façanha de gigante? Que nada, coisa de Máquina Tricolor mesmo. Vamos a ela!
O primeiro grande ano
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Já com uma equipe muito bem estruturada, o Fluminense começou a temporada de 1975 revelando a sua grande contratação: o meia Rivellino, vindo do Corinthians. O craque foi comprado por 400 mil dólares, um valor muito alto para a época. Riva via no time carioca a chance de realizar o seu grande sonho: ser campeão por um clube, já que no período em que esteve no time paulista, não conquistou nada, e ainda saiu brigado com a torcida. E sua ida ao tricolor não poderia ser melhor. Logo no primeiro jogo, justamente em um amistoso contra o Corinthians, Riva deu show: 4 a 1 Flu, com 3 gols dele. Era o presságio do que viria pela frente. Ele teve a companhia de uma equipe talentosa e incrível, com Félix, Marco Antonio e Paulo César Caju, companheiros de Riva na seleção, além de Manfrini, Gil e Assis. Era o que ele precisava para começar a brilhar, poder ter mais liberade para atacar e começar a fazer muitos gols. Dois meses depois da vitória sobre o Corinthians, veio o primeiro título: a taça Guanabara. Tempo depois, o Flu venceria por antecipação o título estadual, no quadrangular final, mesmo com derrota para o Botafogo. Era hora de comemorar. Que tal organizando um amistoso contra o maior esquadrão do mundo à época? Boa ideia…
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A vitória épica sobre o Bayern
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Com muitos contatos no mundo da bola, o ponta do tricolor Paulo César Caju organizou junto ao seu clube um amistoso contra o maior esquadrão da época no futebol, o Bayern München, então bicampeão europeu (venceria o tri consecutivo em 1976 e também o Mundial de Clubes, contra o brasileiro Cruzeiro) base da seleção alemã campeã mundial no ano de 1974, com nomes como Beckenbauer, Sepp Maier, Gerd Müller, Schwarzenbeck, Kapellmann e Rummenigge. Um time incrível. Porém, do outro lado, havia uma outra equipe igualmente incrível, com Félix, Toninho, Marco Antônio, Cafuringa, Paulo César, Rivellino e Mário Sérgio. O Flu mostrou sua força no Maracanã e teve um volume de jogo que assustou os alemães. O time atacou durante os 90 minutos, mas esbarrava na forte zaga adversária. Porém, foi um alemão que deu uma forcinha para o time brasileiro: o artilheiro da Copa de 1974, Gerd Müller, marcou sem querer, contra, o único gol do jogo. Vitória do Flu, por um placar que não refletiu o que foi aquele jogo. Poderia, muito bem, ser uns 2, 3, 4 a 0 para o time de Riva e companhia. O triunfo diante do Bayern mostrou o quanto era forte a Máquina Tricolor. Outro fato relevante é que a equipe alemã raramente saía do continente europeu, tanto que não disputou a final do mundial de clubes em 74 (nem sequer houve o torneio, por conta disso) e 75 (o vice europeu, Atlético de Madrid, foi quem disputou a final, e venceu). Quanta moral do tricolor!
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O único momento ruim do time no ano seria no Campeonato Brasileiro, aonde o clube chegou até as semifinais, mas o Internacional de Falcão “sabotou” a máquina tricolor, que amargou a eliminação.
Novo ano, nova Máquina
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Depois de brilhar em 1975, o Fluminense perdeu peças importantes, mas teve a proeza de se manter ótimo e ainda melhor em 1976, graças ao seu presidente Francisco Horta, que investia demais no seu time de coração. Promovendo troca-trocas com os clubes rivais, saíram Félix, Toninho e Marco Antonio, mas vieram outros ainda melhores, como Renato, Rodrigues Neto, Doval e Dirceu. A cereja do bolo seria a vinda de ninguém menos que Carlos Alberto Torres, melhor lateral-direito da história do futebol e que naquele ano desfilou sua técnica na zaga do tricolor, onde, óbvio, deu show. Pronto. O Fluminense montava uma equipe melhor que a de 1975 e que tinha a proeza de reunir jogadores que jogavam ou que já haviam passado pela Seleção Brasileira, com exceção, claro, do argentino Doval. Time formado, hora de desfilar pelo Brasil (e também pelo mundo).
O mundo conhece o tricolor
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Em 1976, o foco principal daquele time eram os amistosos disputados na Europa. O Flu fazia questão de exibir seu futebol arte e de toque refinado para europeu ver. A equipe excursionou pelo continente e trouxe na bagagem o Torneio de Paris, disputado na cidade francesa que contou, além do Fluminense, com Paris Saint-Germain, Seleção Europeia e a Seleção Olímpica Brasileira. O time tricolor estreou contra o PSG, e venceu por 2 a 0, com dois gols de Rivellino. O jogo seguinte seria contra a temida Seleção Europeia, que reunia jogadores famosos escolhidos pela crítica parisiense. O time europeu tinha como estrelas Petrovic, Suurbier, Van Hannegen, Georgescu, Six e Rensenbrink. Mas o Flu não se intimidou e venceu de virada por 3 a 1, com gols de Paulo César, Doval e Carlos Alberto Torres. A vitória assegurava o título à equipe brasileira, e imensos elogios da imprensa francesa e europeia, que chamou Rivellino de “le meilleur du monde” (o melhor do mundo). Era o Flu esbanjando classe e elevando a fama internacional de nosso futebol arte.
O time conquistou, também, a primeira Copa Viña Del Mar, no Chile, após vitória por 1 a 0 contra a Unión Española e empate sem gols contra o Everton, ambos do Chile. Depois de excursões e de encantar europeus e latinos, era hora de voltar a solo nacional.
Bi-carioca
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O Fluminense destruiu, literalmente, os seus adversários no campeonato estadual do Rio de 1976. O time disputou 32 jogos, venceu 23, empatou 7 e perdeu apenas 2, marcando 74 gols e sofrendo 26, reflexo do esquema altamente ofensivo formado pelo técnico Mário Travaglini, que deixava as principais estrelas livres para entupir os adversários de gols. Tanto é que o artilheiro e o vice daquele campeonato foram tricolores: Doval, com 20 gols, e Gil, com 19. O Flu aplicou 8 goleadas tendo feito 4 gols ou mais no bicampeonato carioca, com destaque para o 9 a 0 sobre o Goytacaz e o 5 a 1 sobre o Botafogo, que garantiria o Flu nas finais. A decisão, contra o Vasco, foi disputada, mas o matador Doval deixou o seu e garantiu o bi ao tricolor, com o placar de 1 a 0. O Flu era o Rei do Rio. Faltava ser rei nacional.
O drama no brasileiro
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Favoritíssimo ao título brasileiro, ao lado do Internacional, o Fluminense chegou novamente às semifinais do torneio naquele ano. O adversário seria o Corinthians, que atuava mais na base da raça e do coração do que pela técnica. Seria o reencontro de Rivellino com seu ex-clube. Porém, diferente do ano anterior, quando Riva brilhou naquele amistoso em que fez 3 gols, o Flu não se encontrou na partida decisiva, no Maracanã. Aquele jogo ficou marcado para história pela Invasão Corintiana, quando mais de 70 mil torcedores corintianos se deslocaram de São Paulo ao Rio de Janeiro para ver a semifinal, um dos maiores feitos da história do futebol mundial. Esse feito foi praticamente “orquestrado” pelo próprio presidente do Flu, Francisco Horta, que provocou os corintianos ao mandar 10 mil ingressos e dizer que a torcida não viria ao Rio, tamanha a confiança que ele tinha que seu time venceria. Depois, ele disse que nem se enviasse a metade dos ingressos os torcedores rivais viriam. E o feitiço virou contra o feiticeiro. Ele disponibilizou 70 mil ingressos, e a torcida corintiana foi ao Maracanã, que ficou dividido entre o tricolor e o preto e branco. A chuva, a raça e a torcida corintiana levaram a equipe a arrancar um empate heróico em 1 a 1. Nos pênaltis, o Flu deu uma aula… De como não se bater penalidades (!), e perdeu por 4 a 1 para o Corinthians. Seria o início do fim de um time que merecia sorte maior no brasileirão. Naquele ano, o campeão foi novamente o Internacional…
Adeus à Máquina
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Em 1977 o Fluminense conquistaria mais um título internacional, o troféu Tereza Herrera, ao vencer o Feyenoord (HOL) por 2 a 0 e golear o Dukla Praga da Tchecoslováquia (então base da seleção campeã da Eurocopa de 1976) por 4 a 1. Mas foi só. Muitos jogadores da Máquina do ano anterior saíram, e deixaram apenas Rivellino, Doval, Edinho e Rubens Galaxe para tentar comandá-la. Mas, assim, a Máquina não engrenava. E não engrenou. O fim mesmo se deu em 1978, quando Riva deixou o clube para jogar nas arábias. Era o capítulo final de um esquadrão que lotava o Maracanã e encantava não só a torcida tricolor, mas também seus rivais. Aquele Fluminense é, até hoje, o melhor que o clube teve em seus 110 anos de história. Outros times foram mais vencedores? Sim. Mas nenhum teve o brilho, o talento e a arte que a Máquina Tricolor de 1975 e 1976 teve. O futebol sente muita saudade…
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Os personagens:
Renato: experiente, assumiu o lugar do goleiro do Tri mundial da seleção de 70, Félix, em 76. Ficou três anos no tricolor e fechava o gol para que a Máquina pudesse trabalhar com segurança.
Félix: teve papel decisivo no Carioca de 1975, com defesas espetaculares e muita segurança. Eterno ídolo tricolor e do Brasil (foi o goleiro do trimundial, em 1970, no México), deixou o clube em 1976.
Carlos Alberto Pintinho: jogou no Flu de 1972 até 1979, onde ganhou 3 cariocas e diversos torneios amistosos. Era extremamente técnico e ajudava a zaga a bloquear as investidas dos adversários. Era um dos grandes nomes do time.
Carlos Alberto Torres: o maior lateral-direito da história do futebol, revelado pelo próprio Flu em 1963, voltou ao clube no melhor momento do time para desfilar na zaga. Foi, como sempre, fundamental e perfeito. Em algumas partidas, jogava também como volante. Tinha imenso respeito dos colegas e era idolatrado pela torcida.
Edinho: foi um dos melhores zagueiros brasileiros na década de 80, e no Flu começava a esbanjar técnica e eficiência ainda garoto. Gostava de ir ao ataque e às vezes marcava gols. Colecionou títulos na equipe nos mais de 10 anos em que jogou no clube.
Rubens Galaxe: é um dos recordistas de jogos pelo tricolor, com mais de 460 partidas disputadas. Subia bem ao ataque, mas era perfeito, mesmo, na marcação.
Rodrigues Neto: esse baixinho invocado tinha um fôlego invejável. Rodrigues Neto cobria as pontas da equipe, que ficavam escancaradas nas subidas de Paulo César e Dirceu. Suas atuações o levaram à seleção que disputou a Copa de 78.
Cléber: era o legítimo operário do time. Jogou toda a sua carreira no Flu, de 1973 até 1980. Venceu 11 títulos com o tricolor.
Marco Antônio: um dos grandes do futebol brasileiro, fez parte do grupo tricampeão mundial da seleção brasileira, em 1970. Venceu a Bola de Prata da Revista Placar em 75 e 76 e atuou de 1969 até 1976 no tricolor. Foi fundamental no carioca de 75.
Paulo César Caju: era um dos grandes craques do time, com extrema habilidade, malandragem e carisma. Ficou 3 anos no Fluminense, o suficiente para entrar para a história.
Dirceu: se movimentava demais, atacava bem, chutava bem, ajudava o meio de campo… Era o jogador moderno do time, fundamental para a Máquina tinir e acabar com os adversários.
Rivellino: viveu os anos mais maravilhosos de sua carreira pilotando a Máquina Tricolor. Era a referência máxima daquele time, sempre a bola passava por seus pés, e sempre ele construía uma jogada de efeito, sublime, que provavelmente terminaria dentro do gol. Foi o símbolo maior da geração do mais puro futebol arte do tricolor das laranjeiras. É um dos maiores ídolos da história do Fluminense.
Gil: ficou conhecido como “Búfalo Gil”, tamanha sua força e explosão em campo. Sempre se dava bem nas jogadas corpo a corpo e corria como um velocista em busca das bolas lançadas por Rivellino, o que quase sempre resultava em gol. Fez uma dupla mortal ao lado de Doval.
Doval: o argentino já tinha fama de goleador no Flamengo, e no Flu não foi diferente. Marcou uma enxurrada de gols, muitos deles decisivos, e logo entrou para a história do clube. Em 2001, dez anos após sua morte, ficou em terceiro lugar em uma pesquisa da Placar que elegeu os melhores estrangeiros da história do Campeonato Brasileiro, atrás apenas de Figueroa e Pedro Rocha. Foi uma lenda da bola.
Paulo Emílio e Mário Travaglini (Técnicos): poucos se lembram dos técnicos que assumiram o Flu em 75 e 76, tamanha a qualidade e autonomia daquele esquadrão. Mas eles existiram, sim! Paulo Emílio era o treinador da primeira Máquina, em 1975. No ano seguinte, foi a vez de Mário Travaglini levar a versatilidade dos esquemas táticos europeus para o Fluminense e melhorar ainda mais o que já era ótimo.

Palmeiras 1993-1994

ESQUADRões do brasil– PALMEIRAS 1993-1994

27/07/2015
Fonte:Imortais do Futebol
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Grandes feitos: Bicampeão brasileiro em 1993 e 1994, bicampeão paulista em 1993 e 1994 e campeão do Torneio Rio-SP em 1993.
Time base: Sérgio (Velloso); Mazinho, Antonio Carlos, Cléber (Tonhão) e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson (Flávio Conceição), Edílson (Rivaldo) e Zinho; Edmundo e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
“Jejum? Não conheço…”
Foram 16 anos de angústia. Nesse tempo, muitas derrotas amargas, poucos jogadores para admirar e muita gozação dos rivais. Para piorar, o Corinthians ganhava seu primeiro brasileiro e o São Paulo colecionava títulos internacionais. É, o início da década de 90 estava sendo terrível para o torcedor do Palmeiras. Como e quando o time poderia voltar a ser protagonista e ganhar um título? Oras, com dinheiro! Muito dinheiro. Foi graças a uma dourada parceria com a Parmalat que o Verdão começou a virar o jogo. Jogadores talentosos eram anunciados a baciada, toda semana. Logo, o time estava formado. Time? Ou seria seleção? O Palmeiras em 1993 e 1994 não ganhou um, mas cinco títulos, três em cima do maior rival. De quebra, com futebol bonito, pra frente, envolvente. Não havia ninguém páreo para o Palmeiras de Edmundo, Evair, Zinho, Cléber e Edílson. Eles eram endiabrados demais. Dentro e fora de campo. Mas o torcedor não ligava para as brigas entre eles. Canecos eram mais importantes, goleadas ainda mais. E ver o rival ser massacrado constantemente era indescritível. Muitos consideram aquele Palmeiras como o melhor que o time já teve. Será que foi mesmo? Só relembrando para ter certeza.

Construindo um esquadrão
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Para colocar um ponto final no angustiante jejum que vivia o clube, a diretoria do Palmeiras conseguiu firmar uma promissora parceria com a Parmalat em 1992. O acordo traria uma fortuna ao clube, disponível para a contratação de grandes jogadores. E foi o que aconteceu. No começo do ano, o clube anunciava Antônio Carlos, Roberto Carlos, Edmundo e Edílson. Pouco tempo depois, outros chegariam, e se somavam a Evair, Mazinho, César Sampaio e Zinho. Pronto. O time estava no jeito. Era hora de correr atrás do primeiro título.

Paulista vira obsessão
O primeiro torneio do ano seria o estadual, um prato cheio para treinar a grande equipe do Verdão. Na primeira fase, o Palmeiras ficou em primeiro lugar, com 19 vitórias, 6 empates e 5 derrotas em 30 jogos. Na segunda fase, dois grupos com quatro equipes definiriam os primeiros colocados como finalistas.  O Palmeiras venceu os seis jogos de seu grupo e foi para a final. O adversário não poderia ser mais estimulador: o Corinthians, do goleiro Ronaldo e do matador Viola.
A decisão
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Mais uma vez o paulista tinha um regulamento esdrúxulo. Se houvesse uma vitória para cada equipe nos dois jogos da final, a decisão iria para a prorrogação, e o time com melhor campanha no campeonato poderia jogar pelo empate na… Prorrogação! Bizarro? Muito! Mas, era o regulamento. No primeiro jogo, Viola fez o único gol do Corinthians na vitória por 1 a 0. Na comemoração, ele imitou um porco, para provocar os rivais. O atacante se arrependeria muito pelo feito no jogo seguinte…
O Palmeiras que enterrou o jejum em 1993: força nas laterais, eficiência no meio de campo e letalidade brutal no ataque.
O Palmeiras que enterrou o jejum em 1993: força nas laterais, eficiência no meio de campo e letalidade brutal no ataque.

Goleada no jejum!
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A partida de volta foi toda do Palmeiras. O time entrou em campo com a faca entre os dentes e pronto para estraçalhar o rival. E foi o que ele fez. Zinho abriu o placar para o Verdão. No segundo tempo, Evair e Edílson ampliaram. Em uma decisão normal, o Palmeiras já seria o campeão pelo saldo de gols. Maaaaas, o jogo foi para a prorrogação. O time poderia não fazer gols que mesmo assim seria campeão. Mas Evair marcou mais um, e enterrou o jejum do Palmeiras: 4×0. O torcedor podia, depois de 16 anos, soltar o grito de campeão. Mas não tão alto, senão não conseguiria gritar nos próximos títulos que viriam ainda em 1993.
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Outro título. De novo sobre o Corinthians.
Pouco tempo depois da conquista do estadual, o Palmeiras venceu o Torneio Rio-SP, batendo novamente o Corinthians na final. O Verdão venceu o primeiro jogo por 2 a 0, e segurou um empate sem gols na partida de volta para ficar com a taça. Faltava mais alguma coisa? Sim, o Campeonato Brasileiro.

Campeão do Brasil, 20 anos depois
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No campeonato brasileiro, o Palmeiras fez uma campanha quase perfeita. Em 22 jogos ao longo do torneio, venceu 16, empatou 4, e perdeu apenas duas partidas. Além disso, teve o melhor ataque, com 40 gols marcados. O time enfrentou na final o surpreendente Vitória, com jovens promessas como Dida e Alex Alves, além de Paulo Isidoro, Gil Sergipano e João Marcelo. Mas o Verdão não teve dificuldades. No primeiro jogo, na Fonte Nova lotada, a equipe se impôs e venceu por 1 a 0, gol de Edílson. Na volta, no Morumbi igualmente cheio, mais de 88 mil pessoas vibraram com a vitória por 2 a 0 do Palmeiras, gols de Evair e Edmundo, ambos no primeiro tempo, o que garantiu o brasileirão ao Verdão depois de 20 anos. Era o terceiro título no ano. Para quem tinha ficado longos 16 na fila, não era nada mal… Mas o time queria mais.
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Ano novo. Ano de bis
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Se na Libertadores o Palmeiras não teve sorte (foi eliminado nas oitavas de final pelo rival São Paulo), no Paulista e no Brasileiro o time brilhou. No estadual, disputado em turno e returno por pontos corridos, o time de Luxemburgo sobrou. Em 30 jogos, foram 20 vitórias, 7 empates e apenas 3 derrotas. Evair, ainda mais matador, foi o artilheiro da competição com 23 gols. Novo caneco na galeria, hora de brigar pelo bi nacional.

Soberania
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Sem Edílson, mas com Rivaldo tinindo, o Palmeiras avançou fácil até as quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1994. O time venceu duas vezes o Bahia por 2 a 1, e encarou nas semifinais o Guarani. O Verdão venceu novamente os dois jogos, por 3 a 1 e 2 a 1, indo para a final. O adversário? Novamente o Corinthians.
O Palmeiras de 1994: as laterais ficaram enfraquecidas, mas as entradas de Flávio Conceição e Rivaldo nem deixaram o torcedor alviverde notar...
O Palmeiras de 1994: as laterais ficaram enfraquecidas, mas as entradas de Flávio Conceição e Rivaldo nem deixaram o torcedor alviverde notar…

Um é bom, dois é ótimo, três é espetacular!
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O Palmeiras completou a trinca de vitórias pra cima do Corinthians em decisões na final do Brasileiro de 1994. Depois de vencer o paulista e o Torneio Rio-SP de 1993, o torneio nacional foi a cereja no bolo alviverde. No primeiro jogo, vitória por 3 a 1, com gols de Rivaldo (2) e Evair. No jogo seguinte, empate em 1 a 1, com mais um gol palmeirense marcado por Rivaldo, e a consagração de um time devastador. O Palmeiras repetia o feito da academia da década de 70 e conquistava o bicampeonato brasileiro 1993/1994. O palmeirense nunca fora tão feliz. Afinal, vencer cinco títulos em dois anos, ver um jejum de 16 anos ir por terra e derrotar em três finais o maior rival, não teve preço. Teve alegria, eficiência e muito futebol. Ser palmeirense naqueles dois anos era a coisa mais fácil e divertida do mundo.
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Debandada encerra o show
Após a final do brasileiro, o Palmeiras começou o desmanche. Mazinho foi para a Espanha. Edmundo foi seduzido pelo Rio e foi jogar no Flamengo. Evair foi outro que partiu, para o Japão. Roberto Carlos foi brilhar na Europa, na Internazionale, e, posteriormente, no Real Madrid. O time viveria vacas magras até brilhar novamente em 1996, 1998 e 1999. Mas o efeito devastador que a geração de 93/94 teve não seria igualado. O Verdão que acabou com o jejum foi mesmo imortal.
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Os personagens:
Sérgio: foi o paredão da equipe nas decisões de 1993. Seguro, soube lidar com a pressão e garantir a retaguarda palmeirense.
Velloso: um dos grandes goleiros da história do clube, Velloso brilhou de 1994 até 1999 no alviverde. Foi peça fundamental em muitas conquistas no período.
Mazinho: dono de uma habilidade extrema, Mazinho podia jogar tanto na lateral direita quanto no meio de campo daquele time. Suas atuações o levaram à Copa de 1994, onde virou titular e ajudou o Brasil a conquistar o tetracampeonato mundial.
Antonio Carlos: depois de brilhar no São Paulo, “Zago” foi o pilar da zaga alviverde nos bicampeonatos paulista e brasileiro.
Cléber: chegou ao clube depois da conquista do paulista de 1993, mas teve tempo de levantar o brasileirão. Impunha respeito por sua presença física e muita raça. Virou o xerifão da zaga e colocou Tonhão no banco.
Tonhão: ficou conhecido como “caneleiro”, por quase sempre ir ao corpo dos atacantes ao Ives de ir à bola, mas conquistou rapidamente a torcida com sua raça e força de vontade. Era titular absoluto até a chegada de Cléber. Muito querido até hoje no Palmeiras.
Roberto Carlos: revelado pelo União São João, Roberto Carlos encantou o Brasil nas temporadas de 93/94 na lateral esquerda do Palmeiras.  No Verdão, já mostrava os indícios que o levariam a ser o melhor do planeta na posição anos mais tarde. Jogou tanto que logo partiu para a Europa, onde viraria estrela mundial.
César Sampaio: foi um dos líderes do time e logo seria capitão. Tinha espírito de liderança e comandava o meio campo. Tinha muita técnica e marcava gols em suas subidas ao ataque. Ele que levantou a única Libertadores do Verdão, em 1999.
Daniel Frasson: era o carregador de piano do time. Discreto, cumpriu seu papel em 1993. Não comprometeu.
Flávio Conceição: comandou o meio palmeirense e foi peça fundamental nos títulos de 1994. Jogou 103 partidas pelo clube, e logo despertou interesse do La Coruña, para onde foi em 1996.
Edílson: o capetinha arrebentou no Verdão em 1993. Foi decisivo e marcou gols sempre quando o time mais precisava dele. Saiu antes de o time ser bicampeão brasileiro em 1994, para jogar no Benfica, de Portugal.
Rivaldo: no Palmeiras foi onde Rivaldo começou a dar mostras do magnífico meia-atacante que seria anos mais tarde, até chegar a melhor do mundo em 1999. Eficiente, técnico, driblador e dono de passes precisos, ele dominou o time em 1994, e foi o maestro na decisão do brasileiro contra o Corinthians. Marcou 21 gols em 44 jogos pelo clube. Um dos maiores craques que já vestiu a camisa alviverde na história.
Zinho: craque consagrado, desfilou no Palmeiras, onde colecionou ainda mais títulos para a sua vasta coleção. Outro que fez parte do Brasil tetracampeão mundial na Copa de 1994.
Edmundo: no Palmeiras foi onde ganhou o apelido de “Animal”, tamanha sua eficiência e gana em direção ao gol. Marcou 74 gols em 180 partidas pelo Palmeiras, muitos deles decisivos. É ídolo até hoje da torcida.
Evair: outro xodó do clube e matador, Evair marcou gols em profusão no alviverde. Em sua primeira passagem, de 1991 a 1994, fez 117 tentos em 221 jogos. Voltou ao clube em 1999, justamente para ser campeão da Libertadores.
Vanderlei Luxemburgo (Técnico): soube domar os egos do time e controlar as ríspidas brigas que sempre acometiam um elenco cheio de estrelas. Mostrou a sua estrela ao vencer quase tudo o que disputou.

Corinthians 1982-1984

ESQUADRões do brasil– CORINTHIANS 1982-1984

27/07/2015
Fonte:Imortais do Futebol
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Grandes feitos: Bicampeão paulista em 1982 e 1983 e símbolo máximo de uma geração que criou um novo jeito de participar de um clube, não só com a bola nos pés, mas praticando política.
Time base: Leão (Solito); Alfinete, Mauro, Juninho (Daniel González) e Wladimir; Biro-Biro, Paulinho (Eduardo), Sócrates e Zenon; Ataliba e Casagrande. Técnico: Mário Travaglini.
“Ser campeão é detalhe…”
Um dos maiores times que o Corinthians já teve, curiosamente, não é tão lembrado pela sutileza com a bola nos pés ou pelos passes precisos de seu meio de campo, sobretudo de certo Doutor. Esse time é lembrado por ser único, por emancipar o nome do clube no Brasil e por representar fielmente o momento político que o país vivia na década de 80. Esse time foi o Democrático Corinthians Paulista, um time representado no movimento “Democracia Corintiana”, que marcou a inédita participação dos jogadores no dia a dia dos assuntos administrativos e burocráticos do clube, bem como na gestão do mesmo. Jogadores apitavam tanto quanto um engravatado e davam suas opiniões da maneira que lhes fosse conveniente. Mas esse esquadrão não vivia apenas de política, claro. Vivia de futebol. E venceu dois campeonatos paulistas consecutivos, ambos contra o grande rival na época, o São Paulo. De quebra, evitou o tricampeonato do tricolor em 1982, algo que o clube do Morumbi nunca conseguiu no estado. Era demais para a fiel torcida? Era. Era mágico, assim como Sócrates, Zenon, Biro-Biro e Casagrande também eram. Vamos relembrar.

Renascimento
O ano de 1981 foi terrível para o Corinthians. O clube amargou uma 26ª colocação no campeonato brasileiro e o oitavo lugar no paulista, que culminaram com o “rebaixamento” do clube à Taça de Prata de 1982 no campeonato nacional. A disputa, porém, previa a ascensão dos clubes no mesmo ano à divisão principal, um claro exemplo de total desorganização do futebol brasileiro à época (apesar de que não mudou muito, não é mesmo?). Os péssimos resultados viriam ao mesmo tempo com o fim da gestão do folclórico presidente Vicente Matheus, no começo de 1982. Waldemar Pires assumiu como novo presidente e trouxe novos ares ao time. Ele, o sociólogo Adílson Monteiro Alves, e jogadores politizados como Sócrates e Wladimir começaram um novo modelo de gerir o clube, uma espécie de autogestão. Estava feita a revolução.
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O início da Democracia
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O novo modelo de gestão do clube colocava funcionários, dirigentes e jogadores no mesmo nível em termos de votos. Todos participavam das decisões e todos tinham voz dentro do Corinthians. Sócrates tinha a mesma voz que o roupeiro, Wladimir o mesmo poder de voto que o massagista e assim por diante. Tudo era democrático, claro e simples. Os jogadores liberaram atletas casados da concentração, o publicitário Washington Olivetto passou a atuar na área de marketing do clube e criou o termo “Democracia Corintiana”, artistas como Rita Lee e Boni passaram a integrar um conselho de “notáveis” dentro do Timão e a marca da democracia passou a ser difundida por todo o país. Foi um sucesso. Que logo seria refletido dentro de campo.
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Brasileiro bate na trave
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O primeiro grande desafio do time seria no Campeonato Brasileiro. O clube passou pela taça de prata e fez uma ótima campanha, chegando até as semifinais da competição. Porém, o Timão não conseguiu superar o grande Grêmio de Leão, De León, Paulo Isidoro, Tarciso e Baltazar, então campeão brasileiro de 1981. Mesmo com as derrotas, o time comemorou um honroso quarto lugar e ganhou o ânimo necessário para a disputa do Campeonato Paulista.

O primeiro caneco
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O favorito à conquista do Paulista de 1982 era o São Paulo, com craques como Waldir Peres, Oscar, Dario Pereyra e Zé Sérgio. O time tinha a chance de conquistar um inédito tricampeonato paulista, mas não contava que na final encontraria o Corinthians, seu principal carrasco. A decisão foi toda do Timão, que venceu o primeiro jogo por 1 a 0, gol de Sócrates, e a partida decisiva, com um categórico 3 a 1, gols de Biro-Biro (2) e Casagrande. Era o êxtase e a alegria que o time mais democrático do país precisava: Corinthians campeão, e colocando fim no sonho do tri do grande rival. O time venceu 28 dos 40 jogos que disputou, perdendo apenas 4. Foram 72 gols marcados e apenas 26 sofridos. Para completar a festa, Casagrande seria o artilheiro da competição com 28 gols. Um final de ano delicioso para o clube.
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Reforços na luta por mais
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A Democracia estava em seu auge no ano de 1983. Por isso, o Corinthians aproveitou para se reforçar. Vieram o zagueiro Juninho, o volante Paulinho e o grande goleiro Leão, que, mesmo com suas qualidades em campo, não foi adepto ao modelo de gestão do clube, o que causou certos desconfortos internos. Problemas à parte, o time tinha uma boa equipe para tentar novas conquistas. No Brasileiro, o clube não foi bem e terminou apenas na 10ª colocação. O ponto alto do torneio foi a goleada de 10 a 1 sobre o Tirandentes-PI, a maior da história do torneio em todos os tempos. Sócrates marcou quatro gols naquele jogo. Mesmo com a decepção no torneio nacional, o Timão ainda tinha o campeonato paulista…
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O Corinthians democrático: com um meio de campo talentoso e um ataque perigosíssimo com Casagrande em seu auge, o Timão jogava muito naquela época.
O Corinthians democrático: com um meio de campo talentoso e um ataque perigosíssimo com Casagrande em seu auge, o Timão jogava muito naquela época.

Bicampeão, de novo contra o São Paulo
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O Corinthians decidiu o Paulistão de 1983 de novo contra o São Paulo, após eliminar o Palmeiras nas semifinais. No primeiro jogo, o Timão venceu novamente por 1 a 0, como no ano anterior, com gol dele, Sócrates. Na partida de volta, um empate garantiria o bicampeonato. Sócrates abriu o placar para o Corinthians. Mas a poucos minutos do fim o São Paulo empatou. Não adiantou. O Timão conquistava o bi, o primeiro desde o jejum. Sócrates marcou 21 gols naquele campeonato e jogou muito. Foram 48 jogos com 24 vitórias e apenas 7 derrotas, além de 68 gols marcados e 39 sofridos.  O título era a consagração da Democracia, que misturava ousadia e coragem fora das quatro linhas, liberdade de expressão e muito talento com a bola nos pés.
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Fim do encanto
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Em 1984 o Corinthians quase chegou à final do Brasileiro. O clube fez uma apresentação memorável contra o grande Flamengo no jogo de volta das quartas de final e venceu por 4 a 1. A vitória foi tão sensacional que o time relaxou nas semifinais, e perdeu para o futuro campeão Fluminense, de Assis, Branco, Ricardo Gomes, Delei, Romerito e Washington. A eliminação culminou, ainda, com a saída da principal estrela corintiana, Sócrates, que foi jogar na Fiorentina, da Itália. O encanto do time estava perdido. No paulista, a perda do tricampeonato estadual para o Santos sepultaria de vez o movimento da Democracia. Jamais um time no Brasil teve outro lampejo democrático como aquele Corinthians 1982-1984. Nenhum clube mesclou o momento que o país vivia com futebol de maneira tão perfeita quanto Sócrates, Wladimir, Biro-Biro e Casagrande. A Democracia Corintiana foi, sem dúvida, um marco no futebol brasileiro e nos cenários político e social da década de 80. O futebol praticado por aquele esquadrão também. É um time imortal, para sempre na memória de todos os corintianos. “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”.
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Os personagens:
Solito: foi titular na temporada de 1982, ajudando muito o time a avançar às semifinais do Brasileiro e a conquistar o título paulista com grandes defesas. Perdeu espaço com a chegada de Leão em 1983.
Leão: eterno temperamental e polêmico, o goleiro Leão não participou da Democracia Corintiana. Sua posição avessa causou muitas desavenças internas. Ficou apenas um ano, o bastante para levantar o Paulista de 1983.
Alfinete: era lateral direito do timão bicampeão paulista 1982/1983. Não tinha a mesma raça e eficiência de Wladimir lá na outra ponta, mas não comprometeu.
Mauro: zagueirão, Mauro jogou de 1978 até 1987 no Corinthians. Era um dos símbolos da raça do time, peça chave nas conquistas do Paulista de 1982 e 1983.
Juninho: marcou época na zaga da Ponte Preta e inclusive integrou o grupo da seleção que disputou a Copa de 1982. Foi para o Corinthians e lá venceu o Campeonato Paulista de 1983.
Daniel González: uruguaio símbolo de raça, González formou um paredão com Mauro na Democracia. Conquistou rapidamente a torcida, mas logo foi vendido ao Vasco, em 1983.
Wladimir: símbolo do Corinthians e um dos maiores ídolos da história do clube, Wladimir atuou em mais de 800 jogos pelo Timão. Foi o dono da lateral esquerda do clube e peça fundamental no movimento da Democracia.
Biro-Biro: era senhor da raça corintiana. Em 1982, fez um gol por entre as pernas de Waldir Peres na final contra o São Paulo, que garantiu o título paulista. Outro grande ídolo do Timão.
Paulinho: fez parte do “quadrado” da Democracia no meio de campo, ao lado de Biro-Biro, Sócrates e Zenon. Tinha muita raça e vontade, que acabavam compensando a falta de técnica. Foi o bastante para brilhar e ganhar rapidamente a torcida.
Eduardo: veloz e moderno, Eduardo era meia no time bicampeão paulista de 1982/1983. Foi um importante jogador no sucesso do time na época.
Sócrates: foi o maior ídolo da história do Corinthians. O Doutor Sócrates liderou o movimento da Democracia Corintiana e esbanjava classe em campo, com passes de precisão cirúrgica, toques de calcanhar de arrebatar o coração e gols, muitos gols, golaços. Foi também um dos maiores meio-campistas da história do futebol brasileiro e mundial. Sua morte tão precoce, no ano passado, bem no dia em que o Corinthians conquistou o pentacampeonato brasileiro, ainda dói no coração do torcedor alvinegro. Sócrates é e será sempre um Imortal do futebol.
Zenon: brilhou no Guarani campeão brasileiro de 1978 antes de fazer história também no Corinthians. Jogou de 1981 até 1985 no Timão e foi outro importante articulador da Democracia. Era fatal em cobranças de falta e nos lançamentos. Um dos maiores de seu tempo no meio de campo.
Ataliba: foi coadjuvante, mas fundamental no ataque do Timão bicampeão estadual. Fez uma dupla memorável com Casagrande e virou símbolo do time.
Casagrande: outro politizado, Casagrande desandou a fazer gols na época da Democracia. Foi ídolo da torcida e mostrava o lado despojado da época. Artilheiro e matador, Casagrande foi referência no ataque do clube por anos.
Mário Travaglini (Técnico): Travaglini foi um dos precursores do futebol moderno no Brasil, com aplicação tática e muita qualidade no passe. Implantou esse estilo na Máquina Tricolor do Fluminense em 1976, onde conquistou o Campeonato Carioca. Experiente, chegou ao Corinthians em 1982 e logo conquistou o campeonato paulista daquele ano e de 1983. Foi um dos grandes treinadores do nosso futebol.

Santos 1960-1969

ESQUADRões do brasil – SANTOS 1960-1969

27/06/2015
Fonte:Imortais do Futebol
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Grandes feitos: Bicampeão Mundial Interclubes (1962 e 1963), Bicampeão da Copa Libertadores da América (1962 e 1963), Campeão da Supercopa Sul-Americana (1968), Campeão da Recopa Mundial (1968), Pentacampeão da Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965), Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), Tricampeão do Torneio Rio-São Paulo (1963, 1964 e 1966) e Octacampeão Paulista (1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969). Sim, foram 23 títulos em apenas uma década.
Time base: Gilmar; Lima (Carlos Alberto Torres), Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Dorval; Mengálvio (Clodoaldo), Coutinho (Toninho Guerreiro), Pelé e Pepe (Edu). Técnicos: Lula e Antoninho.
“O maior dos esquadrões”
“Bola com Mauro, ele toca para Zito, que faz a finta, deixa com Calvet, rola pra Mengálvio, passa por um, olha para o canto, aparece Coutinho que recebe, finta um, dois, deixa com Pepe, driblou o zagueiro, driblou mais um, passou pra Pelé, chapelou um, chapelou dois, fuzilou! Goooool! Golaço do Santos!” A narração fictícia que você acabou de ler foi apenas um exemplo de como era um gol comum do Santos da década de 60. O time brasileiro foi o maior esquadrão das Américas (ou do mundo?) no século XX e encantou plateias na Vila Belmiro, no Pacaembu, no Maracanã, no San Siro, no Estádio da Luz ou até na África. O que o Santos ganhou e fez durante 10 anos nenhum outro clube conseguiu até hoje no Brasil: vencer 23 títulos, marcar uma enxurrada de gols, se exibir por todos os cantos do mundo, parar até guerras, golear sem dó qualquer adversário e ter Pelé. Ah, Pelé… O rei jogou absurdamente muito por mais de uma década, fez o Santos ser conhecido por todos e virou o maior jogador do século. O Imortais do Futebol homenageia o grande Santos, parabenizando o clube praiano pelo seu aniversário de 100 anos. E a melhor homenagem é relembrar aquela equipe dos sonhos. Mas que foi mais do que real.
Tinindo para brilhar
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O Santos já tinha a sua espinha dorsal formada no final da década de 50. Pelé, Pepe, Coutinho, Dorval e outros já integravam o time da Vila Belmiro que venceu o Campeonato Paulista de 1958, com o menino Pelé marcando 58 gols, recorde até hoje na competição. No ano seguinte, o time venceu o Torneio Rio SP em cima do Vasco. No mesmo ano, chegou perto da conquista da cobiçada Taça Brasil, mas perdeu a final para o super Bahia daquela época em jogos alucinantes: Santos 2×3 Bahia / Bahia 0x2 Santos / Bahia 3×1 Santos. Aquela, porém, seria uma derrota logo esquecida. A nova década estava chegando e trazia ventos muito favoráveis ao clube.

Vitórias, canecos e revanche
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Em 1960 o Santos continuou com seu futebol eficiente e vistoso em busca de mais. O clube venceu novamente o Campeonato Paulista, vingando a derrota no ano anterior para a academia do Palmeiras, que se mostraria ao longo da década o único time capaz de impedir um deca ou até mesmo eneacampeonato santista naquele período. O destaque ficou na reta final, quando o Santos massacrou o Corinthians por 6 a 1 e o Palmeiras por 5 a 0. O time mandava novamente no estado, o que garantia vaga na Taça Brasil de 1961. Na competição nacional, o Santos entrou nas semifinais por ser campeão estadual de São Paulo. Com esse privilégio, o time aproveitou e não tomou conhecimento do América-RJ, ao vencer dois jogos por 6 a 2 e 6 a 1 e perder um por 1 a 0. Na final, o time da Vila reencontrou o Bahia, algoz de dois anos antes. Na primeira partida, em Salvador, empate em 1 a 1. Na volta, o Pacaembu viu um show de Pelé e Coutinho, que marcaram os gols da goleada por 5 a 1 que garantiu o primeiro caneco nacional do clube, além da vaga para a Copa Libertadores da América de 1962. O peixe, em 1961, ainda venceu mais uma vez o Paulista e protagonizou um dos maiores bailes do ano no futebol nacional: fez 7 a 1 no Flamengo em pleno Maracanã pelo Torneio Rio SP, com gols de Pelé (3), Pepe (2), Coutinho e Dorval. Um show que fez os mais de 90 mil torcedores aplaudirem de pé o esquadrão de Pelé.

O primeiro grande ano
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Garrincha e Pelé: protagonistas de uma era de ouro.

Campeão nacional e estadual, o Santos quis repetir tudo de novo em 1962, mas, se possível, melhorar, com a participação na Libertadores da América. O torneio era um bebê na época, já que fora criado em 1960. O incrível Peñarol, do Uruguai, era o atual bicampeão da competição e o time a ser batido naquele torneio. Os aurinegros chegaram facilmente à final. Faltava o adversário. Que seria, claro, o Santos.

Caminhada americana
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O time brasileiro caiu no Grupo 1, ao lado de Cerro Porteño, do Paraguai, e Deportivo Municipal, da Bolívia. A equipe de Pelé, Pepe, Coutinho e companhia passou fácil pelos rivais, com destaque para as goleadas de 9 a 1 contra o Cerro e 6 a 1 contra o Deportivo. Depois de três vitórias e um empate, classificação assegurada para as semifinais. O adversário foi a Universidad Católica, do Chile. O primeiro jogo, em Santiago, terminou empatado em 1 a 1. Na volta, em Santos, o time da Vila venceu por um magro 1 a 0, gol de Zito, decretando a vaga na final.

Páreo duro sem o Rei
O Santos tinha pela frente o ótimo Peñarol em sua primeira decisão de Libertadores. Os uruguaios contavam com nomes de peso como Pedro Rocha, Spencer (maior artilheiro da história da Libertadores com 54 gols), Caetano e Maidana. Para piorar, o Santos não tinha Pelé, contundido. Mesmo assim, a equipe mostrou força no primeiro jogo, em Montevidéu, e venceu por 2 a 1, com dois gols de Coutinho. Na volta, o time aurinegro venceu por 3 a 2, mesmo com a bagunça que foi a partida disputada na Vila Belmiro, pois, após a torcida atirar uma garrafa no campo, o juiz suspendeu o jogo. Depois de mais de uma hora, a partida foi reiniciada, com o Santos marcando mais um gol. O empate dava o título ao Santos. O juiz apitou o final do jogo e a festa foi geral. Mas, dias depois, a Conmebol não acatou e forçou uma terceira partida. Esta, já com o Rei.

América brancaleone
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O jogo decisivo entre Santos e Peñarol aconteceu no mês de agosto em campo neutro, na Argentina. Pelé já estava recuperado da contusão que o tirou de boa parte da Copa de 1962. E foi graças a volta do Rei que o Santos mostrou que era o melhor da América. Com dois gols de Pelé e um contra do uruguaio Caetano, a equipe colocou o Peñarol na roda e fez 3 a 0, conquistando pela primeira vez o título da Copa Libertadores. Era, também, a primeira conquista de um time brasileiro. O caneco credenciava o peixe à disputa do Mundial Interclubes, no final do ano.
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Bicampeão nacional
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Antes da conquista da Libertadores, o Santos protagonizou duelos eletrizantes contra o Botafogo nas finais da Taça Brasil. Na primeira partida, no Pacaembu, deu Santos: 4 a 3, com dois gols de Pepe, um de Coutinho e um de Dorval. Pelo Botafogo, marcaram Quarentinha, Amoroso e Amarildo. No segundo jogo, no Maracanã, vitória do Fogão por 3 a 1. O jogo decisivo foi também no Maracanã e… O Santos deu mais um show e venceu por 5 a 0, gols de Dorval, Pepe, Coutinho e Pelé (2). Um espetáculo que emudeceu os torcedores cariocas e enlouqueceu os santistas e apaixonados por futebol. O público via ali que realmente aquele Santos era demais. E praticamente imbatível. No Paulistão, tricampeonato seguido, com Pelé novamente artilheiro com 37 gols. Quem poderia bater aquele esquadrão? Será que o Benfica (POR), de Eusébio?

A conquista do mundo
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Depois de colecionar canecos em 1962, ainda faltava a cereja no bolo do Santos: o Mundial. Na época, o campeonato era disputado em duas partidas, uma em cada país. Se permanecesse a igualdade em pontos, não em gols, haveria uma terceira partida na casa do time que fazia o segundo jogo. Naquela decisão, Santos e Benfica iriam ver quem era o melhor time do mundo. Do lado brasileiro, o esquadrão que estava na ponta da língua dos torcedores de todo país, que jogava o fino da bola e tinha Pelé. Do lado português, outro esquadrão, que era bicampeão europeu e havia vencido o Real Madrid na decisão da Liga dos Campeões por acapachantes 5 a 3. A estrela do time de Lisboa era o “Pantera Negra” Eusébio, um monstro da bola. O primeiro jogo foi no Brasil, com o Maracanã lotado com mais de 90 mil pessoas. Não eram apenas santistas. Eram alvinegros, tricolores, rubro-negros. Ao contrário do que vemos hoje, na época, o Santos tinha a torcida de todos, afinal, era um time do Brasil em campo, e o respeito era outro. Hoje, tal fato é inimaginável. O jogo foi duro e disputado, mas o Santos venceu por 3 a 2, com gols de Pelé (2) e Coutinho, com Santana (2) descontando para o time português. Era hora de cruzar o atlântico para o jogo de volta.
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A maior apresentação da história
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O Estádio da Luz, em Lisboa, estava lotado. Os portugueses, animados com a dureza que o Benfica impuzera ao Santos no Brasil, tinham a certeza de que haveria uma terceira partida, tanto é que até os ingressos já estavam prontos. Eles estavam muito confiantes. Porém, esqueceram de avisar aquela torcida que do outro lado estava o Santos. “O” Santos de Pelé, Coutinho, Pepe e companhia. E que o esquadrão brancaleone faria naquela partida uma das maiores exibições de um time de futebol na história. O peixe jogou muito, mas muito, e não deu chances ao rival em nenhum momento. Pelé fez logo dois aos 15´ e aos 25´. Coutinho fez o terceiro, Pelé fez o quarto e Pepe fechou o caixão: 5 a 0. O Benfica ainda fez dois gols, para não ficar tão feio, no final do jogo, mas era tarde: Santos 5×2 Benfica. O time brasileiro conquistava pela primeira vez em sua história o título de campeão mundial de futebol. Era a consagração que aqueles brilhantes jogadores precisavam. E o ápice para o mundo conhecer de vez o time de Pelé e Cia.

Rumo aos recordes
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Em 1963, o Santos estava no auge. Campeão de tudo no ano anterior, a equipe queria repetir a dose. E repetiu. Menos no campeonato paulista, que ficou com a Academia do Palmeiras. O Santos vacilou em muitas partidas naquele campeonato e foi prejudicado por uma contusão de Pelé, que não jogou na metade do segundo turno. Se não deu para levar o estadual, o Santos venceu o Torneio Rio SP e o tricampeonato da Taça Brasil. Na competição nacional, o time alvinegro reencontrou novamente o Bahia, repetindo a final de 1961. Dessa vez, os baianos não ofereceram resistência, e o Santos venceu fácil os dois jogos, por 6 a 0 em casa, gols de Pelé (2), Pepe (2), Coutinho e Mengálvio e por 2 a 0 em Salvador, com dois gols de Pelé. Sem rivais no Brasil, o Peixe foi em busca de mais um caneco continental.
O melhor Santos de todos os tempos, em 1962: 4-2-4 virava 4-3-3 e a mais pura arte do futebol desfilava por toda a terra.
O melhor Santos de todos os tempos, em 1962: 4-2-4 virava 4-3-3 e a mais pura arte do futebol desfilava por toda a terra.

Louco por ti, América
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Como campeão da Libertadores do ano anterior, o peixe teve a facilidade de entrar na competição já nas semifinais. O time fez um duelo doméstico contra o Botafogo. No primeiro jogo, em São Paulo, empate em 1 a 1. Na volta, no Rio, goleada do Santos por 4 a 0 e vaga na final. O adversário seria o Boca Juniors, da Argentina. Diferente do ano anterior, o Santos escolheu o Maracanã como sua casa para o primeiro jogo da decisão. A popularidade do time de Pelé no Rio era gigantesca, graças às apresentações brilhantes que o time proporcionava ao público carioca. E a torcida compareceu em peso (mais de 100 mil pessoas) e empurraram o time paulista rumo à vitória por 3 a 2, com dois gols de Coutinho e um de Lima. Sanfilippo fez os dois gols do Boca. A volta seria na temida La Bombonera.

Os melhores da América pela segunda vez
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O matador Sanfilippo abriu o placar para o Boca na partida de volta da final da Libertadores de 1963. O time argentino, como não poderia deixar de ser, abusou das faltas e colocou nervos no time brasileiro. Mas o esquadrão santista, no segundo tempo, tratou de pôr a bola no chão e colocar os argentinos em seu devido lugar. Coutinho empatou aos 50´ e Pelé fez o gol da virada e do título aos 82´, com muita raiva na comemoração. O Santos era bicampeão da Libertadores e repetia o feito do Peñarol, também com dois títulos continentais. A equipe disputaria, mais uma vez, o Mundial.

Embate histórico
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Diferente de 1962, o Santos ia decidir o Mundial Interclubes de 1963 em casa. O adversário dessa vez seria o tradicional Milan, de Cesare Maldini (pai de Paolo Maldini), Trapattoni, Rivera e dos brasileiros Mazzola e Amarildo. O primeiro jogo, em Milão, teve vitória do Milan por 4 a 2. O Santos teve a perda de Pelé naquela partida, que se machucou (mesmo fazendo dois gols). Sem o Rei, o time teria que se virar no jogo (ou nos jogos) de volta com Almir Pernambuquinho. E o “Pelé branco” deu conta do recado. Com um gol dele, dois de Pepe e um de Lima, o Santos devolveu o placar aos italianos no Maracanã: 4 a 2. Haveria o terceiro jogo, também no estádio carioca.

Bimundial
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O jogo decisivo foi tenso, com muitas faltas, entradas duras e o clima de hostilidade prevalente. Mas, de novo, Almir fez a diferença. Foi ele quem sofreu o pênalti aos 29 minutos do segundo tempo, provocando a expulsão de Cesare Maldini, capitão do Milan. Dalmo bateu e fez o único gol do jogo: Santos 1×0 Milan, peixe bicampeão mundial de futebol. O Maracanã explodiu em alegria. Ninguém podia com o time brasileiro, que mostrava ter força em seu grupo mesmo sem Pelé. Almir foi a sensação daquelas partidas. E o Santos era a sensação do mundo. O Brasil estava pequeno para o time. Era hora de se exibir para quem quisesse ver.
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Fama mundial
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Depois dos melhores anos do Santos na história, nas temporadas seguintes, o time passou a excursionar pelo mundo e se exibir, a fim de popularizar o nome do time fora do país, bem como popularizar o futebol brasileiro no geral. Talvez por conta disso, o clube não deu a devida importância às disputas seguintes da Copa Libertadores, torneio que voltaria a ganhar apenas em 2011. Uma pena, pois com o esquadrão que o time possuia, poderia ser o “Real Madrid das Américas” e vencer umas 4, 5 taças consecutivas. Mas o peixe não parou de ganhar títulos. Em 1964, o clube voltou a ganhar o Campeonato Paulista, com destaque para a goleada de 11 a 0 sobre o Botafogo-SP, com 8 gols de Pelé, e um 7 a 4 pra cima do Corinthians em pleno Pacaembu, em que Pelé teve de sair de campo escoltado pela polícia. Pobre Timão… O peixe também venceu o Torneio Rio SP (em título dividido com o Botafogo) e o tetracampeoanto da Taça Brasil, vencendo o Flamengo na decisão, com 4 a 1 no primeiro jogo (com show de Pelé, que fez três gols), em São Paulo, e empate sem gols no segundo. Em 1965, ocorreu o desfecho do espetacular pentacampeonato da Taça Brasil, quando o Santos bateu o Vasco na final por 5 a 1 no primeiro jogo em São Paulo e 1 a 0 no Rio. O time venceu, também, o campeonato paulista.
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Início de vacas magras
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A partir do ano de 1966 a geração de ouro do Santos começou a perder território no Brasil. o time foi derrotado de maneira surpreendente na final da Taça Brasil pelo Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Natal e Procópio. No primeiro jogo, o time azul venceu por absurdos 6 a 2, um massacre que terminou 5 a 0 só no primeiro tempo. No jogo de volta, o Santos perdeu de novo, dessa vez de virada por 3 a 2 em pleno Pacaembu. Ali, os times do Brasil conheceram uma nova força que surgia (o Cruzeiro), novas estrelas que seriam titulares na Copa de 1970 (Tostão e Dirceu Lopes) e via também que o Santos não era imbatível. Para piorar, o time da Vila perdeu o campeonato paulista para o grande rival da época, o Palmeiras. A consolação foi a artilharia do campeonato, que ficou com o brilhante Toninho Guerreiro, que marcou 27 gols. O craque, depois de Coutinho, foi o maior parceiro de Pelé no Santos naquela década de 60.
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O único título do peixe em 1966 foi o Torneio Rio SP, que teve de ser dividido com outros três times devido aos preparativos da seleção para a Copa do Mundo (com muitos convocados entre os clubes em questão), e pelo fato de os times não concordarem em jogar com reservas, fazendo a CBD proclamar os quatro primeiros colocados do torneio, todos com 11 pontos, como campeões. Em 1967, o Santos retomou a coroa no campeonato paulista após vencer o São Paulo no jogo desempate por 2 a 1.

Novo ano de ouro
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Depois de dois anos magros para os padrões santistas da época, o time de Pelé resolveu voltar a brilhar em 1968. Com grandes nomes no time como Clodoaldo, Edu, Abel, Toninho Guerreiro e o futuro capitão do Tri, Carlos Alberto Torres, o Santos venceu novamente o Campeonato Paulista com 11 pontos de diferença sobre o vice-campeão Corinthians. O time também venceu a segunda edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o precursor do Campeonato Brasileiro, após vencer os três jogos do quadrangular final contra Internacional, Vasco e Palmeiras. O artilheiro da competição foi Toninho, com 18 gols. Para coroar o ano, dois títulos internacionais: a Supercopa Sul-Americana, quando o time da Vila venceu Peñarol (URU) e Racing (ARG), e a primeira edição da já extinta Recopa Intercontinental, quando o Santos viajou até Milão e derrotou a Internazionale no Estádio Giuseppe Meazza por 1 a 0, gol do matador Toninho. Como a Inter desistiu do jogo de volta (afinal, era certo que perderia…) o Santos foi o campeão. Um novo ano perfeito. O único ponto ruim daquela temporada foi a perda da invencibilidade de 11 anos para o Corinthians, que voltou a vencer o alvinegro da Vila por 2 a 0, tendo que ouvir da Fiel torcida: “Com Pelé, com Edu, nós quebramos o tabu!”.
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Parando guerras
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O ano de 1969 foi histórico para o Santos. Não por conta de títulos, pois o clube venceu apenas o Campeonato Paulista, completando mais um tricampeonato, o segundo da década. O ano foi histórico porque em uma de suas excursões pelo mundo, o time de Pelé foi capaz de parar duas guerras. Isso mesmo! Em uma visita à África, o time brasileiro provocou o cessar fogo na Guerra do Congo Belga entre as forças Kinshasa e Brazzaville, para que as cidades pudessem assistir aos jogos do peixe. Outro conflito paralisado por conta do Santos foi a Guerra de Biafra, na Nigéria. Porém, logo após as partidas, os conflitos recomeçaram… Mesmo assim, o fato foi marcante e estampou as páginas dos mais importantes jornais do planeta, além de inspirar a torcida do Santos a citar o fato em uma de suas cantorias sobre aquele timaço:
“O meu Santos é sensacional
Só o Santos parou a guerra
Com Rei Pelé, bi Mundial
O maior time da Terra”
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Infelizmente, aquele seria o último grande feito do time dos sonhos, que veria Pelé, em 1969, marcar seu milésimo gol na carreira.

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Pelé se prepara para marcar o milésimo gol.

O fim da equipe mágica
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O Santos começou a perder seu encanto e força já em 1969. Com muitas dívidas devido a investimentos equivocados, como a compra do hotel Parque Balneário, que resultou em muito dinheiro perdido anos depois, o clube foi perdendo seus principais jogadores aos poucos. Viu rivais crescerem e conquistarem os títulos que eram apenas de posse do Santos, decretando o fim de um time mágico.

Um time para a história
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Com 100 anos de vida, o Santos é uma das joias do futebol brasileiro e mundial. A história do time que você acabou de ler é uma das mais belas e saborosas desses 100 anos do peixe. Os 23 títulos conquistados, as exibições de gala nos mais diferentes palcos, e a magia que Pelé, Pepe, Coutinho, Zito, Mengálvio, Clodoaldo, Edu e Toninho proporcionavam era demais. Plateias se deliciavam. Multidões se amontoavam nos estádios. Jornais eram vendidos como água. Sempre que o Santos jogava, ia jogar ou ganhava um título era certeza de festa, em qualquer lugar. Naquela época, dizer que o Santos deu show ou que Pelé deu show eram pleonasmos dos mais gritantes. Era óbvio que o Santos dava show. Era óbvio que Pelé dava show, ou que Pelé marcava golaços. O mais que óbvio é que aquele supertime está marcado, para sempre, na história como o maior esquadrão de futebol que o mundo já viu no século XX. Maior que o Real Madrid de Puskás e Di Stéfano? Claro! Maior que o Milan de Van Basten, Rijkaard, Gullit, Baresi e Maldini? Sim! Maior que o São Paulo de Raí e Telê? Sem dúvida! Maior que o Flamengo de Zico? Óbvio! Aí você pergunta: como? A resposta é uma só: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Dorval; Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. A escalação mais pronunciada e famosa do planeta é a resposta para todos os contestadores. Salve o Santos!
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Os personagens:
Gilmar: o maior goleiro do futebol brasileiro tinha que segurar a bronca na meta santista por conta do ímpeto absurdamente ofensivo daquele time. E desempenhou muito bem o seu papel. Jogou de 1961 até 1969 no peixe, onde virou ídolo e conquistou todos os títulos possíveis. Foi, também, o goleiro do Brasil de 1953 até 1969, conquistando duas Copas do Mundo.
Lima: polivalente do time, Antonio Lima dos Santos podia jogar como lateral direito, lateral esquerdo ou zagueiro. Jogou quase 700 jogos pelo peixe e é um mito no clube.
Carlos Alberto Torres: o capitão do tri foi revelado pelo Fluminense, mas foi no Santos onde ele ganhou a maior coleção de títulos de sua carreira. Jogou no clube paulista de 1965 até 1971. Foi um dos símbolos da eficiência e determinação daquele grande time.
Mauro: um dos maiores zagueiros da história do nosso futebol, Mauro Ramos de Oliveira ganhou o apelido de Martha Rocha, eterna Miss Brasil, por sua elegância e estilo em campo. Exímio cabeceador, foi referência máxima da defesa do Santos em toda a década de 60. Foi o capitão do bicampeonato mundial da Seleção Brasileira, em 1962, mesmo ano em que levantou o primeiro título mundial com o Santos. É um mito do clube alvinegro.
Dalmo: lateral esquerdo, Dalmo Gaspar foi o herói do segundo título mundial do Santos, ao marcar, de pênalti, o gol na terceira partida contra o Milan. Folclórico, dizia ser o inventor da paradinha na hora de bater uma penalidade (o que muitos dizem ser, na verdade, obra de Pelé) e que usou durante um bom tempo uma chuteira de borracha que Pelé ganhou em uma das excursões do Santos pela Europa. Foi muito querido na Vila.
Calvet: Raul Donazar Calvet foi o companheiro de zaga de Mauro entre 1960 e 1964, período mais brilhante daquele Santos. Outro de estilo técnico, Calvet tinha excelente visão de jogo e dava cadência ao time.
Zito: motorzinho do meio de campo do Santos, Zito é uma das maiores lendas do futebol nacional. Foi essencial nas conquistas mais importantes do Santos e também do Brasil nos anos 50 e 60. Jogou no peixe de 1952 até 1967, em mais de 720 partidas. Ganhou o apelido de “Gerente”, por comandar o meio de campo do time. Adorava dar lançamentos para Pelé e Coutinho destruírem as zagas dos rivais. É um dos maiores ídolos de nosso esporte.
Dorval: é tido como o melhor ponta-direita da história do Santos. Tocava o terror no ataque do time e marcava muitos gols. Conquistou os mais importantes títulos com o Santos.
Mengálvio: outro mito do Santos, Mengálvio atuou no clube de 1960 até 1967. Soberano no meio de campo, também fazia seus gols.
Clodoaldo: teve a sorte de jogar com Pelé logo em seu início de carreira, mas o azar de começar justamente quando o Santos começava a cair de produção. Clodoaldo foi um dos maiores volantes da história do futebol, dono de uma habilidade extrema para um defensor, ótimo passe, visão de jogo e velocidade. Foram mais de 500 jogos em 14 anos de Santos, e status de ídolo do time após a saída de Pelé. Foi uma das estrelas do Brasil na Copa de 1970, no México.
Coutinho: o maior parceiro da história de Pelé foi também o mais sossegado e “na dele”. Avesso às entrevistas e ao estrelato, Coutinho fazia o papel dele, que era jogar bola. E como jogava. Quando estava junto com o Rei, era difícil saber quem era quem, tamanha a habilidade e o faro de gols de ambos. Adorava fazer tabelinhas com Pelé, seja com os pés, seja com a cabeça. É considerado um dos maiores centroavantes da história do futebol. Coutinho ganhou o apelido de “gênio da pequena área”, superando outros centroavantes que também se destacaram no clube, como Toninho Guerreiro e Feitiço. Pelé, uma vez, comentou sobre o companheiro naqueles anos de ouro: “Coutinho, dentro da área, era melhor que eu. Sua frieza era algo sobrenatural”. E era mesmo. Em 457 partidas pelo Santos, Coutinho marcou 370 gols e conquistou 22 títulos. Foi um dos maiores da história do clube.
Toninho Guerreiro: foi o segundo melhor parceiro de Pelé depois de Coutinho. Marcou 283 gols em 373 jogos pelo clube da Vila e conquistou inúmeros títulos. Só não foi para a Copa de 1970 por conta da imposição do presidente do Brasil na época, Emílio Médici, que queria Dario no excrete canarinho.
Pelé: o Rei do futebol só foi o que foi, só fez o que fez, e só é o que é por causa de seus anos no Santos. Foi no clube da Vila que o melhor jogador de futebol do século XX viveu seus melhores momentos na carreira, que seriam fechados com chave de ouro na Copa de 1970. A história do Santos e de Pelé se confundem de maneira quase telepática, prova disso são alguns números: o Rei é o maior em número de jogos pelo Santos (1116), é o maior artilheiro (1091 gols) e o único artilheiro durante nove anos seguidos do Campeonato Paulista, de 1957 até 1965. Um espanto!
Pepe: o “canhão da Vila”, como ficou conhecido, é o maior artilheiro da história do Santos “humano”, como o próprio Pepe diz, já que “Pelé não conta, pois veio de Saturno…” Pepe marcou 405 gols em 750 partidas pelo time paulista, e foi um dos maiores pontas esquerdas do futebol. Foi um dos símbolos do clube de 1954 até 1969, e viveu exatamente todo o período mais glorioso da história do Santos, única camisa que vestiu na carreira. Ganhou ainda as Copas de 1958 e 1962 com o Brasil e é o recordista de títulos do Campeonato Paulista, com 13 canecos.
Edu: Jonas Eduardo Américo chegou ao Santos bem na época em que o time estava caindo de produção, mas jogou ao lado do Rei e fez partidas memoráveis ao lado do craque. Disputou 584 partidas pelo Santos e marcou 183 gols.
Lula (Técnico): considerado um mero coadjuvante em meio a um time de estrelas, muitos diziam que Lula apenas distribuía os uniformes para os jogadores, afinal, todos eles sabiam muito bem o que fazer. Se ele apenas distribuía os uniformes, então fez isso muito bem de 1954 até 1966, pois ganhou 21 títulos com o Santos. Depois de sair do time, foi o técnico que ajudou o Corinthians a vencer depois de 11 anos, adivinhe? O Santos! Mesmo com essa “traição”, é muito lembrado até hoje por todos.
Antoninho (Técnico): foi jogador do próprio Santos e auxiliar de Lula no período de ouro do time. Comandou o Santos de 1966 até 1971, época em que venceu três estaduais, um Torneio Roberto Gomes Pedrosa e outros títulos. Também coadjuvante de luxo do super time.