segunda-feira, 27 de julho de 2015

Palmeiras 1993-1994

ESQUADRões do brasil– PALMEIRAS 1993-1994

27/07/2015
Fonte:Imortais do Futebol
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Grandes feitos: Bicampeão brasileiro em 1993 e 1994, bicampeão paulista em 1993 e 1994 e campeão do Torneio Rio-SP em 1993.
Time base: Sérgio (Velloso); Mazinho, Antonio Carlos, Cléber (Tonhão) e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson (Flávio Conceição), Edílson (Rivaldo) e Zinho; Edmundo e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
“Jejum? Não conheço…”
Foram 16 anos de angústia. Nesse tempo, muitas derrotas amargas, poucos jogadores para admirar e muita gozação dos rivais. Para piorar, o Corinthians ganhava seu primeiro brasileiro e o São Paulo colecionava títulos internacionais. É, o início da década de 90 estava sendo terrível para o torcedor do Palmeiras. Como e quando o time poderia voltar a ser protagonista e ganhar um título? Oras, com dinheiro! Muito dinheiro. Foi graças a uma dourada parceria com a Parmalat que o Verdão começou a virar o jogo. Jogadores talentosos eram anunciados a baciada, toda semana. Logo, o time estava formado. Time? Ou seria seleção? O Palmeiras em 1993 e 1994 não ganhou um, mas cinco títulos, três em cima do maior rival. De quebra, com futebol bonito, pra frente, envolvente. Não havia ninguém páreo para o Palmeiras de Edmundo, Evair, Zinho, Cléber e Edílson. Eles eram endiabrados demais. Dentro e fora de campo. Mas o torcedor não ligava para as brigas entre eles. Canecos eram mais importantes, goleadas ainda mais. E ver o rival ser massacrado constantemente era indescritível. Muitos consideram aquele Palmeiras como o melhor que o time já teve. Será que foi mesmo? Só relembrando para ter certeza.

Construindo um esquadrão
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Para colocar um ponto final no angustiante jejum que vivia o clube, a diretoria do Palmeiras conseguiu firmar uma promissora parceria com a Parmalat em 1992. O acordo traria uma fortuna ao clube, disponível para a contratação de grandes jogadores. E foi o que aconteceu. No começo do ano, o clube anunciava Antônio Carlos, Roberto Carlos, Edmundo e Edílson. Pouco tempo depois, outros chegariam, e se somavam a Evair, Mazinho, César Sampaio e Zinho. Pronto. O time estava no jeito. Era hora de correr atrás do primeiro título.

Paulista vira obsessão
O primeiro torneio do ano seria o estadual, um prato cheio para treinar a grande equipe do Verdão. Na primeira fase, o Palmeiras ficou em primeiro lugar, com 19 vitórias, 6 empates e 5 derrotas em 30 jogos. Na segunda fase, dois grupos com quatro equipes definiriam os primeiros colocados como finalistas.  O Palmeiras venceu os seis jogos de seu grupo e foi para a final. O adversário não poderia ser mais estimulador: o Corinthians, do goleiro Ronaldo e do matador Viola.
A decisão
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Mais uma vez o paulista tinha um regulamento esdrúxulo. Se houvesse uma vitória para cada equipe nos dois jogos da final, a decisão iria para a prorrogação, e o time com melhor campanha no campeonato poderia jogar pelo empate na… Prorrogação! Bizarro? Muito! Mas, era o regulamento. No primeiro jogo, Viola fez o único gol do Corinthians na vitória por 1 a 0. Na comemoração, ele imitou um porco, para provocar os rivais. O atacante se arrependeria muito pelo feito no jogo seguinte…
O Palmeiras que enterrou o jejum em 1993: força nas laterais, eficiência no meio de campo e letalidade brutal no ataque.
O Palmeiras que enterrou o jejum em 1993: força nas laterais, eficiência no meio de campo e letalidade brutal no ataque.

Goleada no jejum!
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A partida de volta foi toda do Palmeiras. O time entrou em campo com a faca entre os dentes e pronto para estraçalhar o rival. E foi o que ele fez. Zinho abriu o placar para o Verdão. No segundo tempo, Evair e Edílson ampliaram. Em uma decisão normal, o Palmeiras já seria o campeão pelo saldo de gols. Maaaaas, o jogo foi para a prorrogação. O time poderia não fazer gols que mesmo assim seria campeão. Mas Evair marcou mais um, e enterrou o jejum do Palmeiras: 4×0. O torcedor podia, depois de 16 anos, soltar o grito de campeão. Mas não tão alto, senão não conseguiria gritar nos próximos títulos que viriam ainda em 1993.
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Outro título. De novo sobre o Corinthians.
Pouco tempo depois da conquista do estadual, o Palmeiras venceu o Torneio Rio-SP, batendo novamente o Corinthians na final. O Verdão venceu o primeiro jogo por 2 a 0, e segurou um empate sem gols na partida de volta para ficar com a taça. Faltava mais alguma coisa? Sim, o Campeonato Brasileiro.

Campeão do Brasil, 20 anos depois
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No campeonato brasileiro, o Palmeiras fez uma campanha quase perfeita. Em 22 jogos ao longo do torneio, venceu 16, empatou 4, e perdeu apenas duas partidas. Além disso, teve o melhor ataque, com 40 gols marcados. O time enfrentou na final o surpreendente Vitória, com jovens promessas como Dida e Alex Alves, além de Paulo Isidoro, Gil Sergipano e João Marcelo. Mas o Verdão não teve dificuldades. No primeiro jogo, na Fonte Nova lotada, a equipe se impôs e venceu por 1 a 0, gol de Edílson. Na volta, no Morumbi igualmente cheio, mais de 88 mil pessoas vibraram com a vitória por 2 a 0 do Palmeiras, gols de Evair e Edmundo, ambos no primeiro tempo, o que garantiu o brasileirão ao Verdão depois de 20 anos. Era o terceiro título no ano. Para quem tinha ficado longos 16 na fila, não era nada mal… Mas o time queria mais.
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Ano novo. Ano de bis
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Se na Libertadores o Palmeiras não teve sorte (foi eliminado nas oitavas de final pelo rival São Paulo), no Paulista e no Brasileiro o time brilhou. No estadual, disputado em turno e returno por pontos corridos, o time de Luxemburgo sobrou. Em 30 jogos, foram 20 vitórias, 7 empates e apenas 3 derrotas. Evair, ainda mais matador, foi o artilheiro da competição com 23 gols. Novo caneco na galeria, hora de brigar pelo bi nacional.

Soberania
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Sem Edílson, mas com Rivaldo tinindo, o Palmeiras avançou fácil até as quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1994. O time venceu duas vezes o Bahia por 2 a 1, e encarou nas semifinais o Guarani. O Verdão venceu novamente os dois jogos, por 3 a 1 e 2 a 1, indo para a final. O adversário? Novamente o Corinthians.
O Palmeiras de 1994: as laterais ficaram enfraquecidas, mas as entradas de Flávio Conceição e Rivaldo nem deixaram o torcedor alviverde notar...
O Palmeiras de 1994: as laterais ficaram enfraquecidas, mas as entradas de Flávio Conceição e Rivaldo nem deixaram o torcedor alviverde notar…

Um é bom, dois é ótimo, três é espetacular!
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O Palmeiras completou a trinca de vitórias pra cima do Corinthians em decisões na final do Brasileiro de 1994. Depois de vencer o paulista e o Torneio Rio-SP de 1993, o torneio nacional foi a cereja no bolo alviverde. No primeiro jogo, vitória por 3 a 1, com gols de Rivaldo (2) e Evair. No jogo seguinte, empate em 1 a 1, com mais um gol palmeirense marcado por Rivaldo, e a consagração de um time devastador. O Palmeiras repetia o feito da academia da década de 70 e conquistava o bicampeonato brasileiro 1993/1994. O palmeirense nunca fora tão feliz. Afinal, vencer cinco títulos em dois anos, ver um jejum de 16 anos ir por terra e derrotar em três finais o maior rival, não teve preço. Teve alegria, eficiência e muito futebol. Ser palmeirense naqueles dois anos era a coisa mais fácil e divertida do mundo.
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Debandada encerra o show
Após a final do brasileiro, o Palmeiras começou o desmanche. Mazinho foi para a Espanha. Edmundo foi seduzido pelo Rio e foi jogar no Flamengo. Evair foi outro que partiu, para o Japão. Roberto Carlos foi brilhar na Europa, na Internazionale, e, posteriormente, no Real Madrid. O time viveria vacas magras até brilhar novamente em 1996, 1998 e 1999. Mas o efeito devastador que a geração de 93/94 teve não seria igualado. O Verdão que acabou com o jejum foi mesmo imortal.
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Os personagens:
Sérgio: foi o paredão da equipe nas decisões de 1993. Seguro, soube lidar com a pressão e garantir a retaguarda palmeirense.
Velloso: um dos grandes goleiros da história do clube, Velloso brilhou de 1994 até 1999 no alviverde. Foi peça fundamental em muitas conquistas no período.
Mazinho: dono de uma habilidade extrema, Mazinho podia jogar tanto na lateral direita quanto no meio de campo daquele time. Suas atuações o levaram à Copa de 1994, onde virou titular e ajudou o Brasil a conquistar o tetracampeonato mundial.
Antonio Carlos: depois de brilhar no São Paulo, “Zago” foi o pilar da zaga alviverde nos bicampeonatos paulista e brasileiro.
Cléber: chegou ao clube depois da conquista do paulista de 1993, mas teve tempo de levantar o brasileirão. Impunha respeito por sua presença física e muita raça. Virou o xerifão da zaga e colocou Tonhão no banco.
Tonhão: ficou conhecido como “caneleiro”, por quase sempre ir ao corpo dos atacantes ao Ives de ir à bola, mas conquistou rapidamente a torcida com sua raça e força de vontade. Era titular absoluto até a chegada de Cléber. Muito querido até hoje no Palmeiras.
Roberto Carlos: revelado pelo União São João, Roberto Carlos encantou o Brasil nas temporadas de 93/94 na lateral esquerda do Palmeiras.  No Verdão, já mostrava os indícios que o levariam a ser o melhor do planeta na posição anos mais tarde. Jogou tanto que logo partiu para a Europa, onde viraria estrela mundial.
César Sampaio: foi um dos líderes do time e logo seria capitão. Tinha espírito de liderança e comandava o meio campo. Tinha muita técnica e marcava gols em suas subidas ao ataque. Ele que levantou a única Libertadores do Verdão, em 1999.
Daniel Frasson: era o carregador de piano do time. Discreto, cumpriu seu papel em 1993. Não comprometeu.
Flávio Conceição: comandou o meio palmeirense e foi peça fundamental nos títulos de 1994. Jogou 103 partidas pelo clube, e logo despertou interesse do La Coruña, para onde foi em 1996.
Edílson: o capetinha arrebentou no Verdão em 1993. Foi decisivo e marcou gols sempre quando o time mais precisava dele. Saiu antes de o time ser bicampeão brasileiro em 1994, para jogar no Benfica, de Portugal.
Rivaldo: no Palmeiras foi onde Rivaldo começou a dar mostras do magnífico meia-atacante que seria anos mais tarde, até chegar a melhor do mundo em 1999. Eficiente, técnico, driblador e dono de passes precisos, ele dominou o time em 1994, e foi o maestro na decisão do brasileiro contra o Corinthians. Marcou 21 gols em 44 jogos pelo clube. Um dos maiores craques que já vestiu a camisa alviverde na história.
Zinho: craque consagrado, desfilou no Palmeiras, onde colecionou ainda mais títulos para a sua vasta coleção. Outro que fez parte do Brasil tetracampeão mundial na Copa de 1994.
Edmundo: no Palmeiras foi onde ganhou o apelido de “Animal”, tamanha sua eficiência e gana em direção ao gol. Marcou 74 gols em 180 partidas pelo Palmeiras, muitos deles decisivos. É ídolo até hoje da torcida.
Evair: outro xodó do clube e matador, Evair marcou gols em profusão no alviverde. Em sua primeira passagem, de 1991 a 1994, fez 117 tentos em 221 jogos. Voltou ao clube em 1999, justamente para ser campeão da Libertadores.
Vanderlei Luxemburgo (Técnico): soube domar os egos do time e controlar as ríspidas brigas que sempre acometiam um elenco cheio de estrelas. Mostrou a sua estrela ao vencer quase tudo o que disputou.

Corinthians 1982-1984

ESQUADRões do brasil– CORINTHIANS 1982-1984

27/07/2015
Fonte:Imortais do Futebol
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Grandes feitos: Bicampeão paulista em 1982 e 1983 e símbolo máximo de uma geração que criou um novo jeito de participar de um clube, não só com a bola nos pés, mas praticando política.
Time base: Leão (Solito); Alfinete, Mauro, Juninho (Daniel González) e Wladimir; Biro-Biro, Paulinho (Eduardo), Sócrates e Zenon; Ataliba e Casagrande. Técnico: Mário Travaglini.
“Ser campeão é detalhe…”
Um dos maiores times que o Corinthians já teve, curiosamente, não é tão lembrado pela sutileza com a bola nos pés ou pelos passes precisos de seu meio de campo, sobretudo de certo Doutor. Esse time é lembrado por ser único, por emancipar o nome do clube no Brasil e por representar fielmente o momento político que o país vivia na década de 80. Esse time foi o Democrático Corinthians Paulista, um time representado no movimento “Democracia Corintiana”, que marcou a inédita participação dos jogadores no dia a dia dos assuntos administrativos e burocráticos do clube, bem como na gestão do mesmo. Jogadores apitavam tanto quanto um engravatado e davam suas opiniões da maneira que lhes fosse conveniente. Mas esse esquadrão não vivia apenas de política, claro. Vivia de futebol. E venceu dois campeonatos paulistas consecutivos, ambos contra o grande rival na época, o São Paulo. De quebra, evitou o tricampeonato do tricolor em 1982, algo que o clube do Morumbi nunca conseguiu no estado. Era demais para a fiel torcida? Era. Era mágico, assim como Sócrates, Zenon, Biro-Biro e Casagrande também eram. Vamos relembrar.

Renascimento
O ano de 1981 foi terrível para o Corinthians. O clube amargou uma 26ª colocação no campeonato brasileiro e o oitavo lugar no paulista, que culminaram com o “rebaixamento” do clube à Taça de Prata de 1982 no campeonato nacional. A disputa, porém, previa a ascensão dos clubes no mesmo ano à divisão principal, um claro exemplo de total desorganização do futebol brasileiro à época (apesar de que não mudou muito, não é mesmo?). Os péssimos resultados viriam ao mesmo tempo com o fim da gestão do folclórico presidente Vicente Matheus, no começo de 1982. Waldemar Pires assumiu como novo presidente e trouxe novos ares ao time. Ele, o sociólogo Adílson Monteiro Alves, e jogadores politizados como Sócrates e Wladimir começaram um novo modelo de gerir o clube, uma espécie de autogestão. Estava feita a revolução.
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O início da Democracia
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O novo modelo de gestão do clube colocava funcionários, dirigentes e jogadores no mesmo nível em termos de votos. Todos participavam das decisões e todos tinham voz dentro do Corinthians. Sócrates tinha a mesma voz que o roupeiro, Wladimir o mesmo poder de voto que o massagista e assim por diante. Tudo era democrático, claro e simples. Os jogadores liberaram atletas casados da concentração, o publicitário Washington Olivetto passou a atuar na área de marketing do clube e criou o termo “Democracia Corintiana”, artistas como Rita Lee e Boni passaram a integrar um conselho de “notáveis” dentro do Timão e a marca da democracia passou a ser difundida por todo o país. Foi um sucesso. Que logo seria refletido dentro de campo.
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Brasileiro bate na trave
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O primeiro grande desafio do time seria no Campeonato Brasileiro. O clube passou pela taça de prata e fez uma ótima campanha, chegando até as semifinais da competição. Porém, o Timão não conseguiu superar o grande Grêmio de Leão, De León, Paulo Isidoro, Tarciso e Baltazar, então campeão brasileiro de 1981. Mesmo com as derrotas, o time comemorou um honroso quarto lugar e ganhou o ânimo necessário para a disputa do Campeonato Paulista.

O primeiro caneco
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O favorito à conquista do Paulista de 1982 era o São Paulo, com craques como Waldir Peres, Oscar, Dario Pereyra e Zé Sérgio. O time tinha a chance de conquistar um inédito tricampeonato paulista, mas não contava que na final encontraria o Corinthians, seu principal carrasco. A decisão foi toda do Timão, que venceu o primeiro jogo por 1 a 0, gol de Sócrates, e a partida decisiva, com um categórico 3 a 1, gols de Biro-Biro (2) e Casagrande. Era o êxtase e a alegria que o time mais democrático do país precisava: Corinthians campeão, e colocando fim no sonho do tri do grande rival. O time venceu 28 dos 40 jogos que disputou, perdendo apenas 4. Foram 72 gols marcados e apenas 26 sofridos. Para completar a festa, Casagrande seria o artilheiro da competição com 28 gols. Um final de ano delicioso para o clube.
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Reforços na luta por mais
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A Democracia estava em seu auge no ano de 1983. Por isso, o Corinthians aproveitou para se reforçar. Vieram o zagueiro Juninho, o volante Paulinho e o grande goleiro Leão, que, mesmo com suas qualidades em campo, não foi adepto ao modelo de gestão do clube, o que causou certos desconfortos internos. Problemas à parte, o time tinha uma boa equipe para tentar novas conquistas. No Brasileiro, o clube não foi bem e terminou apenas na 10ª colocação. O ponto alto do torneio foi a goleada de 10 a 1 sobre o Tirandentes-PI, a maior da história do torneio em todos os tempos. Sócrates marcou quatro gols naquele jogo. Mesmo com a decepção no torneio nacional, o Timão ainda tinha o campeonato paulista…
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O Corinthians democrático: com um meio de campo talentoso e um ataque perigosíssimo com Casagrande em seu auge, o Timão jogava muito naquela época.
O Corinthians democrático: com um meio de campo talentoso e um ataque perigosíssimo com Casagrande em seu auge, o Timão jogava muito naquela época.

Bicampeão, de novo contra o São Paulo
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O Corinthians decidiu o Paulistão de 1983 de novo contra o São Paulo, após eliminar o Palmeiras nas semifinais. No primeiro jogo, o Timão venceu novamente por 1 a 0, como no ano anterior, com gol dele, Sócrates. Na partida de volta, um empate garantiria o bicampeonato. Sócrates abriu o placar para o Corinthians. Mas a poucos minutos do fim o São Paulo empatou. Não adiantou. O Timão conquistava o bi, o primeiro desde o jejum. Sócrates marcou 21 gols naquele campeonato e jogou muito. Foram 48 jogos com 24 vitórias e apenas 7 derrotas, além de 68 gols marcados e 39 sofridos.  O título era a consagração da Democracia, que misturava ousadia e coragem fora das quatro linhas, liberdade de expressão e muito talento com a bola nos pés.
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Fim do encanto
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Em 1984 o Corinthians quase chegou à final do Brasileiro. O clube fez uma apresentação memorável contra o grande Flamengo no jogo de volta das quartas de final e venceu por 4 a 1. A vitória foi tão sensacional que o time relaxou nas semifinais, e perdeu para o futuro campeão Fluminense, de Assis, Branco, Ricardo Gomes, Delei, Romerito e Washington. A eliminação culminou, ainda, com a saída da principal estrela corintiana, Sócrates, que foi jogar na Fiorentina, da Itália. O encanto do time estava perdido. No paulista, a perda do tricampeonato estadual para o Santos sepultaria de vez o movimento da Democracia. Jamais um time no Brasil teve outro lampejo democrático como aquele Corinthians 1982-1984. Nenhum clube mesclou o momento que o país vivia com futebol de maneira tão perfeita quanto Sócrates, Wladimir, Biro-Biro e Casagrande. A Democracia Corintiana foi, sem dúvida, um marco no futebol brasileiro e nos cenários político e social da década de 80. O futebol praticado por aquele esquadrão também. É um time imortal, para sempre na memória de todos os corintianos. “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”.
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Os personagens:
Solito: foi titular na temporada de 1982, ajudando muito o time a avançar às semifinais do Brasileiro e a conquistar o título paulista com grandes defesas. Perdeu espaço com a chegada de Leão em 1983.
Leão: eterno temperamental e polêmico, o goleiro Leão não participou da Democracia Corintiana. Sua posição avessa causou muitas desavenças internas. Ficou apenas um ano, o bastante para levantar o Paulista de 1983.
Alfinete: era lateral direito do timão bicampeão paulista 1982/1983. Não tinha a mesma raça e eficiência de Wladimir lá na outra ponta, mas não comprometeu.
Mauro: zagueirão, Mauro jogou de 1978 até 1987 no Corinthians. Era um dos símbolos da raça do time, peça chave nas conquistas do Paulista de 1982 e 1983.
Juninho: marcou época na zaga da Ponte Preta e inclusive integrou o grupo da seleção que disputou a Copa de 1982. Foi para o Corinthians e lá venceu o Campeonato Paulista de 1983.
Daniel González: uruguaio símbolo de raça, González formou um paredão com Mauro na Democracia. Conquistou rapidamente a torcida, mas logo foi vendido ao Vasco, em 1983.
Wladimir: símbolo do Corinthians e um dos maiores ídolos da história do clube, Wladimir atuou em mais de 800 jogos pelo Timão. Foi o dono da lateral esquerda do clube e peça fundamental no movimento da Democracia.
Biro-Biro: era senhor da raça corintiana. Em 1982, fez um gol por entre as pernas de Waldir Peres na final contra o São Paulo, que garantiu o título paulista. Outro grande ídolo do Timão.
Paulinho: fez parte do “quadrado” da Democracia no meio de campo, ao lado de Biro-Biro, Sócrates e Zenon. Tinha muita raça e vontade, que acabavam compensando a falta de técnica. Foi o bastante para brilhar e ganhar rapidamente a torcida.
Eduardo: veloz e moderno, Eduardo era meia no time bicampeão paulista de 1982/1983. Foi um importante jogador no sucesso do time na época.
Sócrates: foi o maior ídolo da história do Corinthians. O Doutor Sócrates liderou o movimento da Democracia Corintiana e esbanjava classe em campo, com passes de precisão cirúrgica, toques de calcanhar de arrebatar o coração e gols, muitos gols, golaços. Foi também um dos maiores meio-campistas da história do futebol brasileiro e mundial. Sua morte tão precoce, no ano passado, bem no dia em que o Corinthians conquistou o pentacampeonato brasileiro, ainda dói no coração do torcedor alvinegro. Sócrates é e será sempre um Imortal do futebol.
Zenon: brilhou no Guarani campeão brasileiro de 1978 antes de fazer história também no Corinthians. Jogou de 1981 até 1985 no Timão e foi outro importante articulador da Democracia. Era fatal em cobranças de falta e nos lançamentos. Um dos maiores de seu tempo no meio de campo.
Ataliba: foi coadjuvante, mas fundamental no ataque do Timão bicampeão estadual. Fez uma dupla memorável com Casagrande e virou símbolo do time.
Casagrande: outro politizado, Casagrande desandou a fazer gols na época da Democracia. Foi ídolo da torcida e mostrava o lado despojado da época. Artilheiro e matador, Casagrande foi referência no ataque do clube por anos.
Mário Travaglini (Técnico): Travaglini foi um dos precursores do futebol moderno no Brasil, com aplicação tática e muita qualidade no passe. Implantou esse estilo na Máquina Tricolor do Fluminense em 1976, onde conquistou o Campeonato Carioca. Experiente, chegou ao Corinthians em 1982 e logo conquistou o campeonato paulista daquele ano e de 1983. Foi um dos grandes treinadores do nosso futebol.

Santos 1960-1969

ESQUADRões do brasil – SANTOS 1960-1969

27/06/2015
Fonte:Imortais do Futebol
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Grandes feitos: Bicampeão Mundial Interclubes (1962 e 1963), Bicampeão da Copa Libertadores da América (1962 e 1963), Campeão da Supercopa Sul-Americana (1968), Campeão da Recopa Mundial (1968), Pentacampeão da Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965), Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), Tricampeão do Torneio Rio-São Paulo (1963, 1964 e 1966) e Octacampeão Paulista (1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969). Sim, foram 23 títulos em apenas uma década.
Time base: Gilmar; Lima (Carlos Alberto Torres), Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Dorval; Mengálvio (Clodoaldo), Coutinho (Toninho Guerreiro), Pelé e Pepe (Edu). Técnicos: Lula e Antoninho.
“O maior dos esquadrões”
“Bola com Mauro, ele toca para Zito, que faz a finta, deixa com Calvet, rola pra Mengálvio, passa por um, olha para o canto, aparece Coutinho que recebe, finta um, dois, deixa com Pepe, driblou o zagueiro, driblou mais um, passou pra Pelé, chapelou um, chapelou dois, fuzilou! Goooool! Golaço do Santos!” A narração fictícia que você acabou de ler foi apenas um exemplo de como era um gol comum do Santos da década de 60. O time brasileiro foi o maior esquadrão das Américas (ou do mundo?) no século XX e encantou plateias na Vila Belmiro, no Pacaembu, no Maracanã, no San Siro, no Estádio da Luz ou até na África. O que o Santos ganhou e fez durante 10 anos nenhum outro clube conseguiu até hoje no Brasil: vencer 23 títulos, marcar uma enxurrada de gols, se exibir por todos os cantos do mundo, parar até guerras, golear sem dó qualquer adversário e ter Pelé. Ah, Pelé… O rei jogou absurdamente muito por mais de uma década, fez o Santos ser conhecido por todos e virou o maior jogador do século. O Imortais do Futebol homenageia o grande Santos, parabenizando o clube praiano pelo seu aniversário de 100 anos. E a melhor homenagem é relembrar aquela equipe dos sonhos. Mas que foi mais do que real.
Tinindo para brilhar
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O Santos já tinha a sua espinha dorsal formada no final da década de 50. Pelé, Pepe, Coutinho, Dorval e outros já integravam o time da Vila Belmiro que venceu o Campeonato Paulista de 1958, com o menino Pelé marcando 58 gols, recorde até hoje na competição. No ano seguinte, o time venceu o Torneio Rio SP em cima do Vasco. No mesmo ano, chegou perto da conquista da cobiçada Taça Brasil, mas perdeu a final para o super Bahia daquela época em jogos alucinantes: Santos 2×3 Bahia / Bahia 0x2 Santos / Bahia 3×1 Santos. Aquela, porém, seria uma derrota logo esquecida. A nova década estava chegando e trazia ventos muito favoráveis ao clube.

Vitórias, canecos e revanche
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Em 1960 o Santos continuou com seu futebol eficiente e vistoso em busca de mais. O clube venceu novamente o Campeonato Paulista, vingando a derrota no ano anterior para a academia do Palmeiras, que se mostraria ao longo da década o único time capaz de impedir um deca ou até mesmo eneacampeonato santista naquele período. O destaque ficou na reta final, quando o Santos massacrou o Corinthians por 6 a 1 e o Palmeiras por 5 a 0. O time mandava novamente no estado, o que garantia vaga na Taça Brasil de 1961. Na competição nacional, o Santos entrou nas semifinais por ser campeão estadual de São Paulo. Com esse privilégio, o time aproveitou e não tomou conhecimento do América-RJ, ao vencer dois jogos por 6 a 2 e 6 a 1 e perder um por 1 a 0. Na final, o time da Vila reencontrou o Bahia, algoz de dois anos antes. Na primeira partida, em Salvador, empate em 1 a 1. Na volta, o Pacaembu viu um show de Pelé e Coutinho, que marcaram os gols da goleada por 5 a 1 que garantiu o primeiro caneco nacional do clube, além da vaga para a Copa Libertadores da América de 1962. O peixe, em 1961, ainda venceu mais uma vez o Paulista e protagonizou um dos maiores bailes do ano no futebol nacional: fez 7 a 1 no Flamengo em pleno Maracanã pelo Torneio Rio SP, com gols de Pelé (3), Pepe (2), Coutinho e Dorval. Um show que fez os mais de 90 mil torcedores aplaudirem de pé o esquadrão de Pelé.

O primeiro grande ano
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Garrincha e Pelé: protagonistas de uma era de ouro.

Campeão nacional e estadual, o Santos quis repetir tudo de novo em 1962, mas, se possível, melhorar, com a participação na Libertadores da América. O torneio era um bebê na época, já que fora criado em 1960. O incrível Peñarol, do Uruguai, era o atual bicampeão da competição e o time a ser batido naquele torneio. Os aurinegros chegaram facilmente à final. Faltava o adversário. Que seria, claro, o Santos.

Caminhada americana
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O time brasileiro caiu no Grupo 1, ao lado de Cerro Porteño, do Paraguai, e Deportivo Municipal, da Bolívia. A equipe de Pelé, Pepe, Coutinho e companhia passou fácil pelos rivais, com destaque para as goleadas de 9 a 1 contra o Cerro e 6 a 1 contra o Deportivo. Depois de três vitórias e um empate, classificação assegurada para as semifinais. O adversário foi a Universidad Católica, do Chile. O primeiro jogo, em Santiago, terminou empatado em 1 a 1. Na volta, em Santos, o time da Vila venceu por um magro 1 a 0, gol de Zito, decretando a vaga na final.

Páreo duro sem o Rei
O Santos tinha pela frente o ótimo Peñarol em sua primeira decisão de Libertadores. Os uruguaios contavam com nomes de peso como Pedro Rocha, Spencer (maior artilheiro da história da Libertadores com 54 gols), Caetano e Maidana. Para piorar, o Santos não tinha Pelé, contundido. Mesmo assim, a equipe mostrou força no primeiro jogo, em Montevidéu, e venceu por 2 a 1, com dois gols de Coutinho. Na volta, o time aurinegro venceu por 3 a 2, mesmo com a bagunça que foi a partida disputada na Vila Belmiro, pois, após a torcida atirar uma garrafa no campo, o juiz suspendeu o jogo. Depois de mais de uma hora, a partida foi reiniciada, com o Santos marcando mais um gol. O empate dava o título ao Santos. O juiz apitou o final do jogo e a festa foi geral. Mas, dias depois, a Conmebol não acatou e forçou uma terceira partida. Esta, já com o Rei.

América brancaleone
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O jogo decisivo entre Santos e Peñarol aconteceu no mês de agosto em campo neutro, na Argentina. Pelé já estava recuperado da contusão que o tirou de boa parte da Copa de 1962. E foi graças a volta do Rei que o Santos mostrou que era o melhor da América. Com dois gols de Pelé e um contra do uruguaio Caetano, a equipe colocou o Peñarol na roda e fez 3 a 0, conquistando pela primeira vez o título da Copa Libertadores. Era, também, a primeira conquista de um time brasileiro. O caneco credenciava o peixe à disputa do Mundial Interclubes, no final do ano.
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Bicampeão nacional
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Antes da conquista da Libertadores, o Santos protagonizou duelos eletrizantes contra o Botafogo nas finais da Taça Brasil. Na primeira partida, no Pacaembu, deu Santos: 4 a 3, com dois gols de Pepe, um de Coutinho e um de Dorval. Pelo Botafogo, marcaram Quarentinha, Amoroso e Amarildo. No segundo jogo, no Maracanã, vitória do Fogão por 3 a 1. O jogo decisivo foi também no Maracanã e… O Santos deu mais um show e venceu por 5 a 0, gols de Dorval, Pepe, Coutinho e Pelé (2). Um espetáculo que emudeceu os torcedores cariocas e enlouqueceu os santistas e apaixonados por futebol. O público via ali que realmente aquele Santos era demais. E praticamente imbatível. No Paulistão, tricampeonato seguido, com Pelé novamente artilheiro com 37 gols. Quem poderia bater aquele esquadrão? Será que o Benfica (POR), de Eusébio?

A conquista do mundo
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Depois de colecionar canecos em 1962, ainda faltava a cereja no bolo do Santos: o Mundial. Na época, o campeonato era disputado em duas partidas, uma em cada país. Se permanecesse a igualdade em pontos, não em gols, haveria uma terceira partida na casa do time que fazia o segundo jogo. Naquela decisão, Santos e Benfica iriam ver quem era o melhor time do mundo. Do lado brasileiro, o esquadrão que estava na ponta da língua dos torcedores de todo país, que jogava o fino da bola e tinha Pelé. Do lado português, outro esquadrão, que era bicampeão europeu e havia vencido o Real Madrid na decisão da Liga dos Campeões por acapachantes 5 a 3. A estrela do time de Lisboa era o “Pantera Negra” Eusébio, um monstro da bola. O primeiro jogo foi no Brasil, com o Maracanã lotado com mais de 90 mil pessoas. Não eram apenas santistas. Eram alvinegros, tricolores, rubro-negros. Ao contrário do que vemos hoje, na época, o Santos tinha a torcida de todos, afinal, era um time do Brasil em campo, e o respeito era outro. Hoje, tal fato é inimaginável. O jogo foi duro e disputado, mas o Santos venceu por 3 a 2, com gols de Pelé (2) e Coutinho, com Santana (2) descontando para o time português. Era hora de cruzar o atlântico para o jogo de volta.
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A maior apresentação da história
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O Estádio da Luz, em Lisboa, estava lotado. Os portugueses, animados com a dureza que o Benfica impuzera ao Santos no Brasil, tinham a certeza de que haveria uma terceira partida, tanto é que até os ingressos já estavam prontos. Eles estavam muito confiantes. Porém, esqueceram de avisar aquela torcida que do outro lado estava o Santos. “O” Santos de Pelé, Coutinho, Pepe e companhia. E que o esquadrão brancaleone faria naquela partida uma das maiores exibições de um time de futebol na história. O peixe jogou muito, mas muito, e não deu chances ao rival em nenhum momento. Pelé fez logo dois aos 15´ e aos 25´. Coutinho fez o terceiro, Pelé fez o quarto e Pepe fechou o caixão: 5 a 0. O Benfica ainda fez dois gols, para não ficar tão feio, no final do jogo, mas era tarde: Santos 5×2 Benfica. O time brasileiro conquistava pela primeira vez em sua história o título de campeão mundial de futebol. Era a consagração que aqueles brilhantes jogadores precisavam. E o ápice para o mundo conhecer de vez o time de Pelé e Cia.

Rumo aos recordes
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Em 1963, o Santos estava no auge. Campeão de tudo no ano anterior, a equipe queria repetir a dose. E repetiu. Menos no campeonato paulista, que ficou com a Academia do Palmeiras. O Santos vacilou em muitas partidas naquele campeonato e foi prejudicado por uma contusão de Pelé, que não jogou na metade do segundo turno. Se não deu para levar o estadual, o Santos venceu o Torneio Rio SP e o tricampeonato da Taça Brasil. Na competição nacional, o time alvinegro reencontrou novamente o Bahia, repetindo a final de 1961. Dessa vez, os baianos não ofereceram resistência, e o Santos venceu fácil os dois jogos, por 6 a 0 em casa, gols de Pelé (2), Pepe (2), Coutinho e Mengálvio e por 2 a 0 em Salvador, com dois gols de Pelé. Sem rivais no Brasil, o Peixe foi em busca de mais um caneco continental.
O melhor Santos de todos os tempos, em 1962: 4-2-4 virava 4-3-3 e a mais pura arte do futebol desfilava por toda a terra.
O melhor Santos de todos os tempos, em 1962: 4-2-4 virava 4-3-3 e a mais pura arte do futebol desfilava por toda a terra.

Louco por ti, América
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Como campeão da Libertadores do ano anterior, o peixe teve a facilidade de entrar na competição já nas semifinais. O time fez um duelo doméstico contra o Botafogo. No primeiro jogo, em São Paulo, empate em 1 a 1. Na volta, no Rio, goleada do Santos por 4 a 0 e vaga na final. O adversário seria o Boca Juniors, da Argentina. Diferente do ano anterior, o Santos escolheu o Maracanã como sua casa para o primeiro jogo da decisão. A popularidade do time de Pelé no Rio era gigantesca, graças às apresentações brilhantes que o time proporcionava ao público carioca. E a torcida compareceu em peso (mais de 100 mil pessoas) e empurraram o time paulista rumo à vitória por 3 a 2, com dois gols de Coutinho e um de Lima. Sanfilippo fez os dois gols do Boca. A volta seria na temida La Bombonera.

Os melhores da América pela segunda vez
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O matador Sanfilippo abriu o placar para o Boca na partida de volta da final da Libertadores de 1963. O time argentino, como não poderia deixar de ser, abusou das faltas e colocou nervos no time brasileiro. Mas o esquadrão santista, no segundo tempo, tratou de pôr a bola no chão e colocar os argentinos em seu devido lugar. Coutinho empatou aos 50´ e Pelé fez o gol da virada e do título aos 82´, com muita raiva na comemoração. O Santos era bicampeão da Libertadores e repetia o feito do Peñarol, também com dois títulos continentais. A equipe disputaria, mais uma vez, o Mundial.

Embate histórico
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Diferente de 1962, o Santos ia decidir o Mundial Interclubes de 1963 em casa. O adversário dessa vez seria o tradicional Milan, de Cesare Maldini (pai de Paolo Maldini), Trapattoni, Rivera e dos brasileiros Mazzola e Amarildo. O primeiro jogo, em Milão, teve vitória do Milan por 4 a 2. O Santos teve a perda de Pelé naquela partida, que se machucou (mesmo fazendo dois gols). Sem o Rei, o time teria que se virar no jogo (ou nos jogos) de volta com Almir Pernambuquinho. E o “Pelé branco” deu conta do recado. Com um gol dele, dois de Pepe e um de Lima, o Santos devolveu o placar aos italianos no Maracanã: 4 a 2. Haveria o terceiro jogo, também no estádio carioca.

Bimundial
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O jogo decisivo foi tenso, com muitas faltas, entradas duras e o clima de hostilidade prevalente. Mas, de novo, Almir fez a diferença. Foi ele quem sofreu o pênalti aos 29 minutos do segundo tempo, provocando a expulsão de Cesare Maldini, capitão do Milan. Dalmo bateu e fez o único gol do jogo: Santos 1×0 Milan, peixe bicampeão mundial de futebol. O Maracanã explodiu em alegria. Ninguém podia com o time brasileiro, que mostrava ter força em seu grupo mesmo sem Pelé. Almir foi a sensação daquelas partidas. E o Santos era a sensação do mundo. O Brasil estava pequeno para o time. Era hora de se exibir para quem quisesse ver.
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Fama mundial
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Depois dos melhores anos do Santos na história, nas temporadas seguintes, o time passou a excursionar pelo mundo e se exibir, a fim de popularizar o nome do time fora do país, bem como popularizar o futebol brasileiro no geral. Talvez por conta disso, o clube não deu a devida importância às disputas seguintes da Copa Libertadores, torneio que voltaria a ganhar apenas em 2011. Uma pena, pois com o esquadrão que o time possuia, poderia ser o “Real Madrid das Américas” e vencer umas 4, 5 taças consecutivas. Mas o peixe não parou de ganhar títulos. Em 1964, o clube voltou a ganhar o Campeonato Paulista, com destaque para a goleada de 11 a 0 sobre o Botafogo-SP, com 8 gols de Pelé, e um 7 a 4 pra cima do Corinthians em pleno Pacaembu, em que Pelé teve de sair de campo escoltado pela polícia. Pobre Timão… O peixe também venceu o Torneio Rio SP (em título dividido com o Botafogo) e o tetracampeoanto da Taça Brasil, vencendo o Flamengo na decisão, com 4 a 1 no primeiro jogo (com show de Pelé, que fez três gols), em São Paulo, e empate sem gols no segundo. Em 1965, ocorreu o desfecho do espetacular pentacampeonato da Taça Brasil, quando o Santos bateu o Vasco na final por 5 a 1 no primeiro jogo em São Paulo e 1 a 0 no Rio. O time venceu, também, o campeonato paulista.
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Início de vacas magras
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A partir do ano de 1966 a geração de ouro do Santos começou a perder território no Brasil. o time foi derrotado de maneira surpreendente na final da Taça Brasil pelo Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Natal e Procópio. No primeiro jogo, o time azul venceu por absurdos 6 a 2, um massacre que terminou 5 a 0 só no primeiro tempo. No jogo de volta, o Santos perdeu de novo, dessa vez de virada por 3 a 2 em pleno Pacaembu. Ali, os times do Brasil conheceram uma nova força que surgia (o Cruzeiro), novas estrelas que seriam titulares na Copa de 1970 (Tostão e Dirceu Lopes) e via também que o Santos não era imbatível. Para piorar, o time da Vila perdeu o campeonato paulista para o grande rival da época, o Palmeiras. A consolação foi a artilharia do campeonato, que ficou com o brilhante Toninho Guerreiro, que marcou 27 gols. O craque, depois de Coutinho, foi o maior parceiro de Pelé no Santos naquela década de 60.
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O único título do peixe em 1966 foi o Torneio Rio SP, que teve de ser dividido com outros três times devido aos preparativos da seleção para a Copa do Mundo (com muitos convocados entre os clubes em questão), e pelo fato de os times não concordarem em jogar com reservas, fazendo a CBD proclamar os quatro primeiros colocados do torneio, todos com 11 pontos, como campeões. Em 1967, o Santos retomou a coroa no campeonato paulista após vencer o São Paulo no jogo desempate por 2 a 1.

Novo ano de ouro
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Depois de dois anos magros para os padrões santistas da época, o time de Pelé resolveu voltar a brilhar em 1968. Com grandes nomes no time como Clodoaldo, Edu, Abel, Toninho Guerreiro e o futuro capitão do Tri, Carlos Alberto Torres, o Santos venceu novamente o Campeonato Paulista com 11 pontos de diferença sobre o vice-campeão Corinthians. O time também venceu a segunda edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o precursor do Campeonato Brasileiro, após vencer os três jogos do quadrangular final contra Internacional, Vasco e Palmeiras. O artilheiro da competição foi Toninho, com 18 gols. Para coroar o ano, dois títulos internacionais: a Supercopa Sul-Americana, quando o time da Vila venceu Peñarol (URU) e Racing (ARG), e a primeira edição da já extinta Recopa Intercontinental, quando o Santos viajou até Milão e derrotou a Internazionale no Estádio Giuseppe Meazza por 1 a 0, gol do matador Toninho. Como a Inter desistiu do jogo de volta (afinal, era certo que perderia…) o Santos foi o campeão. Um novo ano perfeito. O único ponto ruim daquela temporada foi a perda da invencibilidade de 11 anos para o Corinthians, que voltou a vencer o alvinegro da Vila por 2 a 0, tendo que ouvir da Fiel torcida: “Com Pelé, com Edu, nós quebramos o tabu!”.
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Parando guerras
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O ano de 1969 foi histórico para o Santos. Não por conta de títulos, pois o clube venceu apenas o Campeonato Paulista, completando mais um tricampeonato, o segundo da década. O ano foi histórico porque em uma de suas excursões pelo mundo, o time de Pelé foi capaz de parar duas guerras. Isso mesmo! Em uma visita à África, o time brasileiro provocou o cessar fogo na Guerra do Congo Belga entre as forças Kinshasa e Brazzaville, para que as cidades pudessem assistir aos jogos do peixe. Outro conflito paralisado por conta do Santos foi a Guerra de Biafra, na Nigéria. Porém, logo após as partidas, os conflitos recomeçaram… Mesmo assim, o fato foi marcante e estampou as páginas dos mais importantes jornais do planeta, além de inspirar a torcida do Santos a citar o fato em uma de suas cantorias sobre aquele timaço:
“O meu Santos é sensacional
Só o Santos parou a guerra
Com Rei Pelé, bi Mundial
O maior time da Terra”
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Infelizmente, aquele seria o último grande feito do time dos sonhos, que veria Pelé, em 1969, marcar seu milésimo gol na carreira.

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Pelé se prepara para marcar o milésimo gol.

O fim da equipe mágica
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O Santos começou a perder seu encanto e força já em 1969. Com muitas dívidas devido a investimentos equivocados, como a compra do hotel Parque Balneário, que resultou em muito dinheiro perdido anos depois, o clube foi perdendo seus principais jogadores aos poucos. Viu rivais crescerem e conquistarem os títulos que eram apenas de posse do Santos, decretando o fim de um time mágico.

Um time para a história
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Com 100 anos de vida, o Santos é uma das joias do futebol brasileiro e mundial. A história do time que você acabou de ler é uma das mais belas e saborosas desses 100 anos do peixe. Os 23 títulos conquistados, as exibições de gala nos mais diferentes palcos, e a magia que Pelé, Pepe, Coutinho, Zito, Mengálvio, Clodoaldo, Edu e Toninho proporcionavam era demais. Plateias se deliciavam. Multidões se amontoavam nos estádios. Jornais eram vendidos como água. Sempre que o Santos jogava, ia jogar ou ganhava um título era certeza de festa, em qualquer lugar. Naquela época, dizer que o Santos deu show ou que Pelé deu show eram pleonasmos dos mais gritantes. Era óbvio que o Santos dava show. Era óbvio que Pelé dava show, ou que Pelé marcava golaços. O mais que óbvio é que aquele supertime está marcado, para sempre, na história como o maior esquadrão de futebol que o mundo já viu no século XX. Maior que o Real Madrid de Puskás e Di Stéfano? Claro! Maior que o Milan de Van Basten, Rijkaard, Gullit, Baresi e Maldini? Sim! Maior que o São Paulo de Raí e Telê? Sem dúvida! Maior que o Flamengo de Zico? Óbvio! Aí você pergunta: como? A resposta é uma só: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Dorval; Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. A escalação mais pronunciada e famosa do planeta é a resposta para todos os contestadores. Salve o Santos!
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Os personagens:
Gilmar: o maior goleiro do futebol brasileiro tinha que segurar a bronca na meta santista por conta do ímpeto absurdamente ofensivo daquele time. E desempenhou muito bem o seu papel. Jogou de 1961 até 1969 no peixe, onde virou ídolo e conquistou todos os títulos possíveis. Foi, também, o goleiro do Brasil de 1953 até 1969, conquistando duas Copas do Mundo.
Lima: polivalente do time, Antonio Lima dos Santos podia jogar como lateral direito, lateral esquerdo ou zagueiro. Jogou quase 700 jogos pelo peixe e é um mito no clube.
Carlos Alberto Torres: o capitão do tri foi revelado pelo Fluminense, mas foi no Santos onde ele ganhou a maior coleção de títulos de sua carreira. Jogou no clube paulista de 1965 até 1971. Foi um dos símbolos da eficiência e determinação daquele grande time.
Mauro: um dos maiores zagueiros da história do nosso futebol, Mauro Ramos de Oliveira ganhou o apelido de Martha Rocha, eterna Miss Brasil, por sua elegância e estilo em campo. Exímio cabeceador, foi referência máxima da defesa do Santos em toda a década de 60. Foi o capitão do bicampeonato mundial da Seleção Brasileira, em 1962, mesmo ano em que levantou o primeiro título mundial com o Santos. É um mito do clube alvinegro.
Dalmo: lateral esquerdo, Dalmo Gaspar foi o herói do segundo título mundial do Santos, ao marcar, de pênalti, o gol na terceira partida contra o Milan. Folclórico, dizia ser o inventor da paradinha na hora de bater uma penalidade (o que muitos dizem ser, na verdade, obra de Pelé) e que usou durante um bom tempo uma chuteira de borracha que Pelé ganhou em uma das excursões do Santos pela Europa. Foi muito querido na Vila.
Calvet: Raul Donazar Calvet foi o companheiro de zaga de Mauro entre 1960 e 1964, período mais brilhante daquele Santos. Outro de estilo técnico, Calvet tinha excelente visão de jogo e dava cadência ao time.
Zito: motorzinho do meio de campo do Santos, Zito é uma das maiores lendas do futebol nacional. Foi essencial nas conquistas mais importantes do Santos e também do Brasil nos anos 50 e 60. Jogou no peixe de 1952 até 1967, em mais de 720 partidas. Ganhou o apelido de “Gerente”, por comandar o meio de campo do time. Adorava dar lançamentos para Pelé e Coutinho destruírem as zagas dos rivais. É um dos maiores ídolos de nosso esporte.
Dorval: é tido como o melhor ponta-direita da história do Santos. Tocava o terror no ataque do time e marcava muitos gols. Conquistou os mais importantes títulos com o Santos.
Mengálvio: outro mito do Santos, Mengálvio atuou no clube de 1960 até 1967. Soberano no meio de campo, também fazia seus gols.
Clodoaldo: teve a sorte de jogar com Pelé logo em seu início de carreira, mas o azar de começar justamente quando o Santos começava a cair de produção. Clodoaldo foi um dos maiores volantes da história do futebol, dono de uma habilidade extrema para um defensor, ótimo passe, visão de jogo e velocidade. Foram mais de 500 jogos em 14 anos de Santos, e status de ídolo do time após a saída de Pelé. Foi uma das estrelas do Brasil na Copa de 1970, no México.
Coutinho: o maior parceiro da história de Pelé foi também o mais sossegado e “na dele”. Avesso às entrevistas e ao estrelato, Coutinho fazia o papel dele, que era jogar bola. E como jogava. Quando estava junto com o Rei, era difícil saber quem era quem, tamanha a habilidade e o faro de gols de ambos. Adorava fazer tabelinhas com Pelé, seja com os pés, seja com a cabeça. É considerado um dos maiores centroavantes da história do futebol. Coutinho ganhou o apelido de “gênio da pequena área”, superando outros centroavantes que também se destacaram no clube, como Toninho Guerreiro e Feitiço. Pelé, uma vez, comentou sobre o companheiro naqueles anos de ouro: “Coutinho, dentro da área, era melhor que eu. Sua frieza era algo sobrenatural”. E era mesmo. Em 457 partidas pelo Santos, Coutinho marcou 370 gols e conquistou 22 títulos. Foi um dos maiores da história do clube.
Toninho Guerreiro: foi o segundo melhor parceiro de Pelé depois de Coutinho. Marcou 283 gols em 373 jogos pelo clube da Vila e conquistou inúmeros títulos. Só não foi para a Copa de 1970 por conta da imposição do presidente do Brasil na época, Emílio Médici, que queria Dario no excrete canarinho.
Pelé: o Rei do futebol só foi o que foi, só fez o que fez, e só é o que é por causa de seus anos no Santos. Foi no clube da Vila que o melhor jogador de futebol do século XX viveu seus melhores momentos na carreira, que seriam fechados com chave de ouro na Copa de 1970. A história do Santos e de Pelé se confundem de maneira quase telepática, prova disso são alguns números: o Rei é o maior em número de jogos pelo Santos (1116), é o maior artilheiro (1091 gols) e o único artilheiro durante nove anos seguidos do Campeonato Paulista, de 1957 até 1965. Um espanto!
Pepe: o “canhão da Vila”, como ficou conhecido, é o maior artilheiro da história do Santos “humano”, como o próprio Pepe diz, já que “Pelé não conta, pois veio de Saturno…” Pepe marcou 405 gols em 750 partidas pelo time paulista, e foi um dos maiores pontas esquerdas do futebol. Foi um dos símbolos do clube de 1954 até 1969, e viveu exatamente todo o período mais glorioso da história do Santos, única camisa que vestiu na carreira. Ganhou ainda as Copas de 1958 e 1962 com o Brasil e é o recordista de títulos do Campeonato Paulista, com 13 canecos.
Edu: Jonas Eduardo Américo chegou ao Santos bem na época em que o time estava caindo de produção, mas jogou ao lado do Rei e fez partidas memoráveis ao lado do craque. Disputou 584 partidas pelo Santos e marcou 183 gols.
Lula (Técnico): considerado um mero coadjuvante em meio a um time de estrelas, muitos diziam que Lula apenas distribuía os uniformes para os jogadores, afinal, todos eles sabiam muito bem o que fazer. Se ele apenas distribuía os uniformes, então fez isso muito bem de 1954 até 1966, pois ganhou 21 títulos com o Santos. Depois de sair do time, foi o técnico que ajudou o Corinthians a vencer depois de 11 anos, adivinhe? O Santos! Mesmo com essa “traição”, é muito lembrado até hoje por todos.
Antoninho (Técnico): foi jogador do próprio Santos e auxiliar de Lula no período de ouro do time. Comandou o Santos de 1966 até 1971, época em que venceu três estaduais, um Torneio Roberto Gomes Pedrosa e outros títulos. Também coadjuvante de luxo do super time.